Marido de sangue

Willibaldo Ruppenthal Neto

Resumo


Apesar de muitos textos bíblicos serem considerados crux interpretum, ou seja, “cruz dos intérpretes” pela sua complexidade filológica ou teológica, Êxodo 4.24-26 é um problema para os estudiosos por ser pura e simplesmente estranho. Neste texto, no qual aparentemente Deus tenta matar Moisés (ou seu filho), o hebraico é bastante simples, e a teologia da punição do pecado evidente. Mesmo assim, porém, o problema permanece. A explicação do texto é possível, porém, quando se atenta para a tradição judaica posterior, que apresenta não somente o valor do sangue da circuncisão, relacionado à Páscoa, como insere elementos ausentes no texto, completando-o. Deste modo, se percebe que não é o próprio Deus que tenta contra a vida do filho de Moisés, mas o “anjo da morte”, personagem importante no relato de Êxodo, que é aplacado com o sangue da circuncisão, como também o será pelo sangue pascoal. Mesmo a razão para todo o evento é fornecida: Moisés teria prometido a seu sogro, Jetro, que não iria circuncidar seu filho, a fim de que continuasse a religião do avô. Zípora, no entanto, sendo obrigada pelas circunstâncias a circuncidar seu filho, culpa Moisés, tomado não somente como “marido de sangue”, mas ainda mais como “genro culpado”, pelo descumprimento no acordo com seu sogro.

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