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OS CHIFRES DE MOISÉS

Willibaldo Ruppenthal Neto

Mestrando em História (UFPR)

Bolsista CNPq

E-mail: willibaldoneto@hotmail.com

RESUMO

A estátua de Moisés de Michelangelo (Mosè) chama a atenção não somente pela sua beleza como ainda pelo fato de que possui chifres. Os chifres em Moisés, porém, não são invenção de Michelangelo, mas marcam presença nas representações artísticas deste personagem do Antigo Testamento desde pelo menos a Idade Média. O presente texto visa apresentar o texto de Êxodo 34.29-30, cuja interpretação da palavra hebraica qāran como “chifres” ao invés de “luzes” teve como consequência uma tradição segundo a qual haveriam chifres na cabeça de Moisés. Estes chifres podem ser explicados de três formas diferentes, por três perspectivas distintas: 1) os chifres seriam uma arma dada por Deus para Moisés lutar contra os anjos, quando subiu ao céu; 2) os chifres seriam uma referência ao bezerro de ouro, que os israelitas fizeram como representação de seu Deus; 3) os chifres estariam em uma máscara ritual que Moisés teria utilizado, de modo semelhante às religiões primitivas. Estas três perspectivas seguem, respectivamente, as interpretações das literaturas agádica e midráshica (1); os estudos teológicos de Jack M. Sasson, Walter Moberly e Thomas Römer (2); e, as pesquisas de Hugo Gressmann, T. B. Dozeman e outros pesquisadores (3). Nos três casos, Moisés é elevado, colocando-se como não somente diferente dos demais seres humanos, mas também superior aos mesmos, como representante máximo de Deus.

Palavras-chave: Moisés; Antigo Testamento; Êxodo.

ABSTRACT

The Michelangelo’s statue of Moses (Mosè) draws attention not only by its beauty but also because it have horns. This Moses’ horns, however, are not Michelangelo’s creation, but are present in artistic representations of this Old Testament hero at least since Middle Ages. This article aims to analyze the text of Exodus 34:29-30, which interpretation of the Hebrew word qāran as “horns” and not “rays of light” had as consequence the creation of a tradition by which there was horns in Moses’ head. This horns can be explained in three different ways, by three different perspectives: 1) the horns would be a weapon given by God to Moses that he can battle the angels in his journey to Heaven; 2) the horns would be a reference to the golden calf, which the Israelites made as a representation of their God; 3) the horns would be in a ritual mask that Moses used, like in primitive religions. Those three perspectives follow, respectively, the interpretations of: the aggadic and midrashic literatures (1); the theological studies of Jack M. Sasson, Walter Moberly and Thomas Römer (2); and, the researches of Hugo Gressmann, T. B. Dozeman and other researchers (3). In the three different cases, Moses is raised, being not only different but also superior in comparison to the other human beings, because he became God’s greatest representative.

Keywords: Moses; Old Testament; Exodus.

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