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A TEOLOGIA DE PAULO NA APLICAÇÃO CONTEMPORÂNEA DE ROMANOS 14.1-13

The theology of Paul in the contemporary application of Romans 14.1-13

Mauricio Loiola Pinto1

Dr. Claiton André Kunz2

RESUMO

Este trabalho trata de um problema que ocorria na igreja cristã de Roma entre fracos na fé e fortes na fé. Paulo dedicou 36 versículos da Carta aos Romanos (Rm 14.1 a 15.13) para sanar esse conflito. Focalizado na primeira parte desta série de versículo (v. 1 a 13), o presente estudo visa reconhecer e estabelecer os princípios teológicos essenciais do relacionamento entre o homem e Deus. Muitos conflitos nas igrejas atuais acontecem por falta de entendimento do que são e o que não são questões essenciais para Deus - o que leva a muitos agirem de igual forma aos membros da igreja primitiva de Roma. O trabalho tem seu foco principal em duas partes distintas: a análise de Romanos 14.1-13, e a aplicação contemporânea de Romanos 14.1-13. Nesta última, o problema da igreja de Roma é comparado com os problemas da igreja atual quanto ao desprezo e julgamento entre seus membros, o qual consequentemente arruína a aceitação mútua e incondicional de todo o corpo de Cristo na igreja.

Palavras-chaves: Teologia. Romanos. Paulo. Contemporaneidade.

ABSTRACT

This work deals with a problem that occurred in the Christian church of Rome between the weak ones in faith and the strong ones in faith. Paul dedicated 36 verses of the Letter to the Romans (Romans 14:1 to 15:13) to remedy this conflict. Focused on the first part of this series of verses (v. 1 to 13), the present study aims to recognize and establish the essential theological principles of the relationship between man and God. Many conflicts that occur nowadays in nowaday’s churches happen because of a lack of understanding of what they are and what are not essential issues for God - which leads many to do the same things that members of the early church in Rome did. The work has its main focus on two distinct parts: the analysis of Romans 14:1 to 14:13, and the contemporary application of Romans 14:1 to 14:13. In the last one, the problem of the church of Rome is compared with the problems of the current church, regarding contempt and judgment among its members, which consequently ruins the mutual and unconditional acceptance of the whole body of Christ in the church.

Keywords: Theology. Romans. Paul. Contemporaneity.

INTRODUÇÃO

Paulo já havia resolvido a questão da aceitação mútua entre os membros da igreja de Roma nos capítulos 12.9-16. Em Rm 13.11-14 ele encerra a paráclese. Em virtude de uma dificuldade premente na igreja de Roma, Paulo abre um bloco especial para essa questão específica, a disputa entre “fracos” e “fortes” na fé em relação à tolerância mútua.3 A maioria dos comentaristas concorda que o tema dos “fracos” e “fortes” na fé de Romanos 14.1 a 15.13 se divide em quatro partes: 14.1-12, 14.13-23, 15.1-6 e 15.7-13.4 Este estudo tratará da primeira parte, Romanos 14.1-13, em que o princípio da aceitação mútua é estabelecido por Paulo por meio de uma exortação.5 O tema da aceitação mútua, de que Paulo trata no período da Roma antiga amplia-se e estende-se até a contemporaneidade, agora diversificada pelas diferentes doutrinas e interpretações, as quais merecem atenção e análise segundo a perspectiva de Romanos 14.

1. ANÁLISE DE ROMANOS 14.1-13

Segundo Douglas Moo, citado por Pate, a perícope de Romanos 14.1-12 está posta em uma estrutura quiasmática6:

A Exortação à unidade (14.1-3)

B Fundamento teológico da unidade (14.4-9)

A’ Exortação à unidade (14.10-12)

A perícope inicia assim: “Ora, ao que é fraco na fé, acolhei-o, mas não para condenar-lhe os escrúpulos” (14.1). Neste texto, o termo chave é “receber”, que significa “tolerar”, “aceitar”.7 Na igreja de Roma, os crentes tinham diversas origens: judeus convertidos, gentios, escravos, senhores, pobres e ricos. A primeira instrução de Paulo era para que todos pudessem se aceitar mutuamente, tolerando e amando seu próximo. Paulo, no primeiro versículo, inicia com uma exortação, para que o forte na fé seja tolerante com o fraco na fé. Segundo Paulo, o fraco na fé a que ele se refere nada tem a ver com a fraqueza de vontade ou caráter, mas de fé. Faltando-lhes, assim, a liberdade de consciência por causa do excesso de zelo, indecisões e escrúpulos.8 “Trata-se de cristãos cuja fé, insuficientemente esclarecida, não lhes dá convicções bastante firmes para agir com consciência segura (v.2,5,22). Eles julgavam-se obrigados, em certos dias (v.5), talvez de modo permanente (v.21), a abster-se de carne ou de vinho (v.2,21)”.9 “Estes cristãos, intransigentes e críticos em relação aos cristãos que estavam desfrutando abundantemente da Graça, Paulo os chamou de ‘fracos na fé’”.10

Os citados como fracos na fé jamais teriam visto a si próprios como fracos, porém Paulo sustenta esta designação. A palavra para “ser fraco” pode significar falta de força de diversas maneiras. No Novo Testamento, esta palavra é usada quarenta vezes para designar “fisicamente doente”. Pohl a descreve metaforicamente como uma fé “enferma”, cuja verdadeira essência não se pôde realizar. A igreja poderia acabar com as tensões expulsando alguns irmãos, porém o princípio regente aqui é: aceitar! Algo diferente do caso dos judaizantes em Romanos 16.17-19, Colossenses 2.46 e na Carta aos Gálatas, aos quais Paulo se contrapõe enfaticamente, pois estes causavam agitação, havia modificação do evangelho e colocava a comunidade em perigo.11

O termo “acolhei” do primeiro verso, Ora, ao que é fraco na fé, acolhei-o, mas não para condenar-lhe os escrúpulos”, diferente de Romanos 15.7, traz uma afirmativa complementada por uma repulsa de impedimento ao forte na fé a discutir opiniões. Outra questão que se deve levar em consideração é que os poucos textos paralelos para “acolher” (proslambánomai) no AT grego versam sobre Deus, que salva uma pessoa para dentro da comunhão especial e estreita com Ele (Sl 18.16; 26.10; 65.4).12

Para Stott, existem quatro possibilidades de quem eram os fracos na fé em Roma. A primeira seria os ex-idólatras, recém-convertidos do paganismo, sendo o mesmo grupo citado por Paulo em 1 Coríntios 8. Estes tinham certos escrúpulos em relação a comerem carnes vendidas nos açougues locais por haver a possibilidade de serem carnes antes usadas em sacrifício a algum “ídolo” (eidólothyta) e assim poderem se contaminar. Existe muita semelhança com 1 Coríntios 8, porém em Romanos 14 não existe a citação da carne aos ídolos.13

A segunda possibilidade seria que estes fracos na fé fossem ascetas. Uma prática comum na Antiguidade, tanto para o paganismo (os pitagoristas) como para o judaísmo (os essênios). Isso explicaria a abstinência do vinho e da carne (14.21), porém não há registro dessa possibilidade.

A terceira hipótese apresentada por Stott, sustentada por C. K. Barrett, é que estes fracos seriam os legalistas. Estes não teriam a capacidade de compreender o princípio da justificação exclusiva pela fé, por isso necessitavam da abstinência, do vegetarianismo e da guarda do sábado.

A quarta hipótese é a que Stott crê ser a mais provável, que os fracos na fé eram cristãos judeus, que queriam continuar com as regras judaicas do Antigo Testamento, tanto em sua dieta como em seus dias religiosos. Estes comeriam somente coisas limpas (14.14,20), sendo que para o consumo da carne, esta deveria seguir às exigências do ritual judaico (os animais deveriam ser mortos de maneira prescrita). Tendo a impossibilidade desta garantia, abstinham-se de comer carne. Desta forma também procediam quanto aos dias religiosos e ao sábado. Stott baseia sua hipótese no fato de que Paulo estava agindo conforme a indicação do Concílio de Jerusalém, quando aconselhava os fortes a não desprezarem nem condenarem os fracos. No concílio, quando Paulo fez a defesa contra a obrigação da circuncisão para salvação dos gentios, ficou decretado que o cristão judeu teria sua liberdade em continuar suas práticas culturais e cerimoniais, e assim, também se pediu aos cristãos gentios que tivessem respeito a tais práticas, e até se abstivessem de práticas que pudessem ofender a consciência sensível dos cristãos judeus, como não comer carne não purificada.14

Pate expressa a mesma opinião que Sttot quanto a quem seriam os fracos na fé, e cita Moo, que descreve quatro evidências desta constatação:

Primeira evidência entre fracos e fortes (14.1-15.13) corresponde às diferenças entre judeus e gentios (cf. Rm 1.8-4.22; 9-11; 15.14-33). Segunda, é possível perceber uma origem judaica na condição do fraco pelo uso do termo koinos (“impuro/profano” [14.14]), que se tornou uma maneira meio técnica de proibir determinados alimentos sob a lei mosaica (cf. Mc 7.2,5; At 10.14). (...) Terceira evidência, o apelo de Paulo para que fracos e fortes se acolham mutuamente indica que os fracos não estavam divulgando ideias contrárias ao evangelho, a exemplo dos judaizantes, aos quais Paulo dirigiu críticas mais severas (cf. Rm 1.18-3.31). (...) Quarta evidência, a ausência da expressão “carne sacrificada aos ídolos” (cf. Co 8.1).15

No segundo versículo de Romanos 14, Paulo cita o que os fracos em Roma comiam: “Um crê que de tudo se pode comer, e outro, que é fraco, come só legumes” (v.2). O Comentário do Novo Testamento da CPAD coloca os judeus recém-convertidos ao Cristianismo - que temiam que a carne fosse oferecida aos deuses – como possibilidade de serem os fracos na fé de Roma. Paulo, em 1 Coríntios 8, diz que não haveria problema em comer uma carne possivelmente dedicada a um deus falso se o cristão não tivesse tal conhecimento, porém isso poderia ser um problema para alguns judeus convertidos e para gentios que antes praticavam tais atos de adoração.16

Segundo Pate, mesmo tendo semelhanças entre os textos de Coríntios e Romanos, eles não eram genericamente os mesmos. Romanos 14 não traz nenhuma menção ao consumo de carne dedicado aos deuses, nem à idolatria. Paulo haveria somente adaptado à questão de 1 Coríntios 8 para uma situação específica que ocorria em Roma, que tratava da necessidade de abstinência da carne, de vinho e de observar determinados dias como santos.17 A Bíblia de Estudo Arqueológica, porém, trata deste assunto como sendo exclusivo a um problema que ocorria em Roma, e adverte que tal problema se diferenciava dos judaizantes da Galácia (Gl 1.7), onde a igreja acreditava que Deus lhes devia um favor se praticassem as obras da justiça, uma doutrina herética que muitos erroneamente impunham às igrejas desta região.18

No versículo 3, Paulo faz a segunda exortação: “Quem come não despreze a quem não come; e quem não come não julgue a quem come; pois Deus o acolheu”.

Paulo, em Romanos 14.1-3 faz a primeira exortação aos cristãos para se acolherem mutuamente. Isso acontece em declarações paralelas: o forte na fé (v. 1,2a); o fraco na fé (v. 2b); o forte na fé (v. 3a); o fraco na fé (v. 3b). Esse paralelo distingue-se pela exortação em 14.1,2a e 14.3a aos fortes na fé (gentios e alguns judeus, como o próprio Paulo, que comem carne) para que estes não menosprezem os fracos na fé (cristão judeus) que não comem carne, somente kosher. Em 14.2b e 14.3b adverte os fracos na fé a não julgarem os que comem carne e não kosher. Paulo diz que os dois grupos devem se acolher mútua e incondicionalmente, pois Deus acolhe e aceita ambos os grupos.19

As questões do que é ingerido (comida e bebida) e dos dias sagrados, para Paulo, não são essenciais. Stott diz que Paulo chega a transparecer certo sarcasmo ao justapor “o reino de Deus” com o “comer e beber” (Rm 14.17), pois tais coisas não podem ser comparadas. Tais questões eram dialogismoi – “opiniões pessoais” (BLH), “contendas sobre dúvidas” (ERC) ou “assuntos controvertidos” (NVI) – os quais para os cristãos, não havia necessidade de unanimidade em sua concordância.20

Pohl diz que, na época de Paulo, muitos cristãos pensavam ser mais sérios e mais fiéis que outros. “Condenavam, pois, os irmãos que segundo suas opiniões estavam entregues ao mundo”.21 Entretanto, Paulo adverte aos irmãos na igreja que estes não devem desprezar ou julgar o seu próximo.

A palavra grega para desprezar significa “rejeitar com desprezo”. Os irmãos mais fortes enfrentam a tentação de desprezar os mais fracos, e os mais fracos correm o risco de julgar ou condenar os mais fortes. (...) Paulo responde a ambos com amor, pois ambos estão agindo conforme a sua consciência. Mas os seus sinceros escrúpulos não devem se tornar regras na igreja. O nosso princípio deveria ser: naquilo que for essencial, a unidade; naquilo que não for essencial, a liberdade; e, em tudo, o amor.22

No versículo 4, Paulo fornece o fundamento teológico que indica que nenhum dos grupos tem direito de julgar uns aos outros, pois ambos são servos e sujeitos ao mesmo Senhor23: “Quem és tu, que julgas o servo alheio? Para seu próprio senhor ele está em pé ou cai; mas estará firme, porque poderoso é o Senhor para o firmar” (v.4).

Muitos dos novos cristãos surgiram das primeiras pregações nas sinagogas e dos prosélitos que haviam abandonado o paganismo em busca de uma fé mais genuína. A preservação da Lei quanto à circuncisão e as exigências cerimoniais dos novos cristãos de origem judaica tinha um apoio muito tênue destes prosélitos. Um sentimento dos cristãos de origem cultural grega, no final da primeira metade do século I, que certamente repercutiu na realização do Concílio de Jerusalém em 48/49 d.C. Havia uma diferença exorbitante entre o raciocínio judeu e o raciocínio grego, como também quanto à religião. Os judeus pensavam conforme a Lei e as implicações relacionadas à Torá. Os gregos estimulavam a curiosidade intelectual em um espírito de livre indagação. Os judeus eram religiosos, enquanto os gregos tinham uma perspectiva científica. Apesar de sua mútua tolerância, essa duas linhas nunca puderam estabelecer uma boa união quanto à fé.24 Entretanto, a decisão do Concílio de Jerusalém deu início a uma nova era. A divisão entre circuncisos e não circuncisos foi quebrada; agora os cristão de origem grega não precisavam mais obedecer à Lei para obter a salvação.25 Diferente da carta aos Gálatas, Paulo em Romanos apresenta um “espírito pacífico” no que diz respeito às questões da Lei para os gentios, pois tal fato em Romanos já é uma questão esclarecida.26

A contribuição de Paulo quanto a não haver distinção entre judeu e grego quanto à fé, trouxe a proclamação da salvação a um âmbito universal. A aplicação ética de Paulo nos primeiros capítulos de Romanos coloca o remido na obrigatoriedade de viver uma vida justa.27

Entre os cristãos, quando um condena o outro, este está interferindo em um relacionamento especial, do qual não faz parte. Nega o direito de senhorio de Cristo, colocando-se em seu lugar. Neste ponto, Paulo interpela pelo irmão vitimado. “Para seu próprio senhor ele está em pé ou cai; mas estará firme, porque poderoso é o Senhor para firmá-lo” (no acerto de contas final).28 Apesar de todo questionamento sobre o irmão, este experimentará a regulação que lhe cabe, e será aperfeiçoado juntamente com todos os irmãos pela graça de Deus.29

O julgamento será individual (14.10) respondendo por si próprio perante Cristo e não perante o semelhante (Mt 7.3-5; Lc 6.37,41,42; 1 Co 4.3-5). O cristão às vezes pode vir a ter um julgamento moral baseado em antipatia por alguém, opiniões e preconceito cultural, sem base na Palavra de Deus. Entretanto, isso não desclassifica a função da igreja em se posicionar contra as ações que são claramente proibitivas pela Palavra, tais como: adultério, assassinato, homossexualismo, roubo, etc.30

No versículo 5, Paulo explana sobre as diferentes crenças dos dois grupos em relação aos dias considerados especiais: “Um faz diferença entre dia e dia, mas outro julga iguais todos os dias. Cada um esteja inteiramente convicto em sua própria mente” (v.5). Os cristãos divergiam quanto a quais dias deveriam ser sagrados ou não. Para os judeus, o dia santo era o sábado e, para os cristãos, o dia santo era o domingo. Apesar de um judeu convertido ter a certeza de que sua salvação ocorrera devido a sua fé e não por obediência à lei, os dias considerados santos ainda poderiam causar um sentimento de vazio se este não os dedicasse a Deus. Em contraposição, outros convertidos poderiam não ter esse sentimento e preocupação, julgando iguais todos os dias, entendendo que todos os dias são santos para o Senhor (Cl 2.16,17). Neste versículo, Paulo esclarece que a importância não está em quem tem razão, mas em sua convicção em seu coração, e que o faz para Deus, e que por meio desta, Deus o aceitará de igual forma.31

No versículo 6, a consciência aceitável que agrada a Deus de cada grupo sobre o que faz para o Senhor, é colocada diplomaticamente por Paulo: “Aquele que faz caso do dia, para o Senhor o faz. E quem come, para o Senhor come, porque dá graças a Deus; e quem não come, para o Senhor não come, e dá graças a Deus” (v.6). Os alimentos considerados “puros” e “impuros” no Antigo Testamento (ver por ex., At 10.14; 1Mc 1.63; 4Mc 7.6; Josefo, Ant. 11.346) eram um problema para os cristãos judeus.32 A dieta era uma marca que diferenciava o judeu do gentio. Segundo Dunn, citado por Stott, essa marca se evidenciara já na Babilônia, no caso de Daniel33, e se acerbara na crise dos macabeus, onde a importância desta lei quanto à dieta se tornou um símbolo da aliança e fidelidade à nação, assim como a guarda do sábado.34

As tensões que ocorriam nas igrejas de Roma aconteciam “entre aqueles que se consideravam parte de um movimento essencialmente judaico – e, consequentemente, viam-se obrigados a observar os costumes característicos e distintos de um judeu e aqueles que compartilhavam a compreensão de Paulo sobre um evangelho que transcendia a particularidade judaica.35

Dunn conclui Romanos 14 a 15 como “uma discussão de ‘coisas não essenciais’... é perder a centralidade e a natureza crucial da questão da autocompreensão do cristianismo primitivo”.36

No versículo 14, Paulo reitera a questão específica do alimento, ao ecoar as palavras de Jesus Cristo (Mc 7.14-23): “Como uma pessoa que está no SENHOR Jesus, tenho plena convicção de que nenhum alimento é por si mesmo ritualmente impuro, a não ser para aquele que assim o considera; para esse é impuro” (Rm 14.14). Paulo entende o que acontece no coração de um judeu religioso e tradicional. Entretanto, afirma com toda a segurança que os antigos tabus sobre alimentação, cerimoniais e dias especiais não têm mais aplicabilidade à Nova Aliança em Cristo (Mt 15.10-20; 1Tm4.4; Tt 1.15).37

Paulo trazia um princípio de liberdade, segundo o qual cada cristão deveria responder ao Senhor conforme sua consciência. A importância deveria ser focada em dar graças a Deus, e não em como seria dada tal graça, se por um determinado dia específico ou comida e bebida específica.38

Nos versículos 7 e 8, Paulo lembra aos cristãos que eles deixaram de viver para si mesmos, e que agora o que importa é o Senhor, tanto em suas vidas como em suas mortes: “Porque nenhum de nós vive para si, e nenhum morre para si, pois, se vivemos, para o Senhor vivemos; se morremos, para o Senhor morremos. De sorte que, quer vivamos quer morramos, somos do Senhor” (v.7-8)

Paulo, neste versículo, deixa claro aos cristãos que estes não são mais senhores de si mesmos, mas servos de Deus, por isso não devem agir de forma pessoal (egoísta), mas responsável, sem desagradar ao próximo. Os cristãos devem viver em liberdade e permitindo a mesma liberdade para os outros cristãos, caso contrário tal liberdade deixa de existir. O relacionamento do cristão com Deus é mais importante que a vida e a morte, e estas mais importantes que as observâncias religiosas.39

No versículo 9, Paulo enfatiza a ênfase sacrificial do cristão colocada nos versículos sete e oito, lembrando-os por qual motivo Cristo também se sacrificou: “Porque foi para isto mesmo que Cristo morreu e tornou a viver, para ser Senhor tanto de mortos como de vivos” (v.9). Esta frase é a reiteração da certeza de que os mortos ressuscitarão para verem a entrada triunfal de Cristo (1 Ts 4.13-18), sendo visto como Senhor entre todos.40 Esta também é uma frase de confissão da primeira igreja cristã, o conteúdo pleno do Evangelho. Esta serve de comprovante da Escritura para aqueles que creem. Paulo provavelmente tinha dificuldade de escutar a opinião dos fracos, pois as “debilidades dos fracos” eram um peso a ser “suportada” (Rm 15.1), porém estes eram fracos “na fé” (v 1.2), um vínculo de fé com o Senhor. Por esse motivo, Paulo via por princípio a inexorável comunhão essencial entre os santos.41

Cristo morreu para nos libertar do juízo. Somente Ele é o nosso juiz. Se algum crente alegar que tem autoridade para dizer aos outros como devem pensar ou

agir sobre assuntos de opinião ele está usurpando uma posição que pertence só a Cristo.42

Ribas faz o seguinte questionamento em relação ao tratamento que os cristãos dão uns aos outros: “Será que estou tratando as pessoas como se elas também pertencessem ao Senhor?”43

Nos versículos 10 a 12, o tema do julgamento de um grupo e o desprezo de outro, entra em pauta para dar consciência a ambos de sua posição diante daquele que é o único capaz de julgar os homens, Deus!

Mas tu, por que julgas teu irmão? Ou tu, também, por que desprezas teu irmão? Pois todos havemos de comparecer ante o tribunal de Deus. Porque está escrito: Por minha vida, diz o Senhor, diante de mim se dobrará todo joelho, e toda língua louvará a Deus. Assim, pois, cada um de nós dará conta de si mesmo a Deus (14.10-12). 

Nesta perspectiva, ninguém tem o direito de julgar ou desprezar o próximo, pois todos serão julgados por Cristo para prestar contas de seus atos. Este não é o evento em que Deus julgará o destino eterno da humanidade, mas será o julgamento dos crentes por suas ações na terra (Mt 12.36; 1 Pe 4.5).44

A expressão grega usada por Paulo para designar “tribunal” é bema (βήμα).45

Em Rm 14.10 e em 2 Co 5.10 a expressão é chamada de “Tribunal de Cristo” (ou “Tribunal de Deus”, de acordo com os manuscritos mais autênticos; ARA), a quem o Pai deu todo o julgamento (Jo 5.22,27). Neste bema, os crentes deverão comparecer, para que cada um receba as coisas feitas “por meio do [ou no] corpo”, segundo o que tiverem feito, “ou bem ou mal. Lá, eles receberão recompensas pela fidelidade ao Senhor. Por tudo que tiver sido contrário em suas vidas à vontade de Deus, eles sofrerão perdas (1 Co 3.15). Este julgamento deve ser distinguido do julgamento pré-milenar, o trono terrestre de Cristo (Mt 25.31), e o julgamento pós-milenar, “O Grande Trono Branco” (Ap 20.11), no qual somente os mortos comparecerão. O tribunal de Cristo será um tribunal estabelecido quanto da Sua parousia46, ou seja, da Sua presença com os santos depois que Ele voltar a fim de recebê-los para Si mesmo.47

Paulo, para dizer que haverá um tempo de julgamento, cita no versículo 11, Isaías 45.2348 em sua substância do juramento, porém substitui a extensa afirmação de Isaías por uma introdução bastante usada nas Escrituras, principalmente em Ezequiel: “Por minha vida, diz o Senhor” (ou “Como eu vivo, diz o Senhor” e.g., Nm 14.28; Is 49.18; Jr 22.24; Ez 5.11; 14.16,18,20; 16.48). Essa intencionalidade reflexiva remete ao juramento: “Tão certo como vive o Senhor” (e.g., Jz 8.19; Rt 3.13; 1Sm 14.39; Jr 4.2). Uma expressão com a qual - em muitos contextos - o Senhor em seu compromisso aplica também uma advertência de juízo, embora em Isaías 49.18 aconteça uma introdução da promessa de salvação de Sião.49 Paulo remonta ao plano original de Deus, onde toda a humanidade seria trazida a Deus por meio de Abraão. Tendo os judeus rejeitado sua mensagem primordial, então foi aberta a graça diretamente aos gentios. No capítulo 12, Paulo deixa claro que não se deve rejeitar, nem julgar os que foram aceitos por Deus, pois cada crente deverá prestar contas de suas atitudes diante Dele.50 Segundo Romanos 2.16, o acerto final se dará perante Deus, porém por meio de Cristo, o qual recebeu do Pai a incumbência do passado, presente e futuro da humanidade.51

O julgamento da humanidade tem sua tese afirmada em Salmo 61 (62) e aplicada em Romanos 2.6-16: “Deus retribuirá a cada um segundo suas obras”. As boas obras têm sua identificação na submissão à “verdade”, já as obras más são as iniquidades (Rm 2.8). “Todos os que pecaram sem Lei perecerão também sem a Lei e todos os que pecaram sob a Lei, serão julgados pela Lei” (Rm 2.12). Também a consciência pagã está submetida à lei natural (Rm 2.14-15). Assim, o julgamento de Deus às obras ocultas da humanidade ocorrerá por meio destes princípios em Jesus Cristo.52É necessário que todos nós compareçamos53 perante o tribunal de Cristo, a fim de que cada um receba o que mereceu, conforme o bem ou o mal que tiver feito enquanto estava no corpo54” (2 Co 5.10).

Por temer a indiferença do cristão quanto à santidade, Paulo costumeiramente mantém sua exortação quanto ao temor dos castigos de Deus no juízo e sua antítese, as promessas das recompensas. A mesma comparação Paulo aplica aos Coríntios:

Entre todos que correm no estádio, só um recebe o prêmio; é preciso correr para chegar ao final. Todos os que competem, treinam a duras penas, e eles o fazem para receberem uma coroa perecível, mas nós, uma imperecível. Quanto a mim, corro para a meta, dou golpes, mas não no ar; castigo meu corpo e o reduzo à servidão, a fim de não suceder que, depois de ter pregado aos outros, eu venha a ser reprovado (1 Co 9.24-27).

Nos versículos 1 ao 12, Paulo destaca o que é essencial no fundamento do Cristianismo, e esclarece que ambos os grupos de fé têm vínculo de fé com Cristo. “Não aceitar-se um ao outro significaria atacar o direito de soberania de Cristo”.55

2. A LEI DO AMOR

Paulo era um defensor do livre arbítrio, da liberdade a qual não necessita de restrição por regras da infância, mas do amadurecimento da liberdade. Lutero pôde descrever com sabedoria essa atmosfera de liberdade: “O cristão é livre de todos e sujeito a ninguém. O cristão é o servo mais solícito de todos, a todos sujeito”.56 Esta é a lei e a forma em que Cristo vivia; assim sendo, Paulo via a concretização do propósito divino que subjaz à lei de Moisés.57 Os mandamentos da lei são resumidos nas palavras: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Lv 19.18).58O amor não pratica o mal contra o próximo; de sorte que o cumprimento da lei é o amor” (Rm 13.10). A “lei” agora adquire novo sentido; esta não é mais imposta de fora para dentro, mas de dentro para fora, onde nasce o Espírito de Cristo em sua lei do amor, “Cristo, exemplo supremo do seu povo, sempre pensou nos interesses dos outros antes que nos dele; por isso quem é dele59, apesar de não estar sujeito a ninguém, com respeito à sua liberdade, deve sujeitar-se a todos, por causa do amor”.60

Paulo deixa claro à igreja, que a lei do amor não é feita pela forma da “lei de ordenanças”. Por isso a comida, mesmo dedicada aos ídolos, torna-se indiferente em termos éticos e religiosos, o que vai importar realmente é a conduta do cristão em relação ao próximo.61 Diz Paulo: “Pois, se pela tua comida se entristece teu irmão, já não andas segundo o amor. Não faças perecer por causa da tua comida aquele por quem Cristo morreu” (Rm 14.15). 

Paulo ensina que, para confirmar a lei, é necessária uma atmosfera de liberdade espiritual, na qual a correta vontade de Deus é oportunizada. Esta é a “lei de Cristo”, a lei do Espírito, a lei do amor. “Levai as cargas uns dos outros e, assim, cumprireis a lei de Cristo” (Gl 6.2)62. Uma lei delineada por Cristo quando disse:

Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento. Este é o grande e primeiro mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas (Mt 22.37-40). 

3. A FLEXIBILIDADE DE PAULO

Paulo foi acusado de incoerência por alguns, devido a sua postura variável quanto à lei. Essa flexibilidade (1 Co 9.19-23) levava Paulo a agir conforme os costumes judaicos e a Torá junto aos judeus a fim de ganhá-los, e quando se encontrava junto aos gentios, abandonava os costumes judaicos quanto à observação de leis alimentares e de pureza, a fim também de ganhá-los para Cristo. Essa atitude poderia passar a impressão de hipocrisia, porém Paulo apresentava um propósito coerente: “Tornei-me todas as coisas para todas as pessoas, de modo que por todos os meios pudesse salvar algumas” (1 Co 9.22). Neste texto, a palavra “ganhar” (kerdainõ), ou “salvar” (sõzõ), não se referia a uma conversão inicial, mas a “ganhar os fracos” (pessoas que já tinham sua fé consolidada). Neste caso, Paulo referia-se tanto a pessoas que têm um compromisso inicial quanto aqueles que já tinham tal compromisso, pois, para Paulo, o termo salvar conota uma realidade futura (e.g., Rm 5.9; 13.11). Paulo trata a salvação por um compromisso de fé que deve ser aderido até o fim. Em 1 Coríntios 10.33, Paulo estabelece o mesmo princípio de 1 Coríntios 9.19-23: “Assim como me esforço para agradar a todos, deixando de buscar benefício próprio, mas o de muitos, para que sejam salvos”. Assim, da mesma forma, segue a exortação de que se deve evitar ser tropeço para a igreja de Deus, na percepção de que a salvação é construída de forma escatológica.63

O princípio paulino da flexibilidade explica por que o apóstolo Paulo recusou a circuncidar o gentio Tito (Gl 2.3-5), mas concordou em circuncidar Timóteo. (...) Timóteo, por ser judeu, fora circuncidado por razões culturais, para que o evangelho prosperasse entre os judeus, ao passo que a circuncisão de Tito, que era gentio, anularia um princípio fundamental do evangelho que Paulo pregava. A flexibilidade da Paulo em relação à lei quando se encontrava em contextos judeus explica como ele pôde participar do sacrifício no templo em seu regresso à Jerusalém em Atos 21.21-26, uma vez que sua intenção era não alienar os judeus comprometidos com a Torá. (...) A flexibilidade de Paulo não se aplicava por uma questão de conforto e segurança, e sim pela salvação de outros. Ele se preocupava de tal maneira com o bem de outros que estava disposto a ser chamado de “incoerente” a fim de ganhá-los para o evangelho.64

4. APLICAÇÃO CONTEMPORÂNEA DE ROMANOS 14.1-13

Todas as cartas de Paulo às Igrejas surgiram de alguma crise que ocorrera na época, porém os princípios de tais “tratados”, em sua maioria, servem para todos os tempos e são bastante relevantes para os problemas da atualidade. Apesar do ambiente em que Paulo viveu ser diferente da época atual, os seres humanos enfrentam problemas semelhantes aos daquela época. Segundo Cairns, Cristo não deixou nenhum corpo de doutrina definido, porém, conduzido pelo Espírito Santo, Paulo a formulou a partir dos ensinos e da morte de Cristo. “Paulo sempre equilibrava fórmulas teológicas com aplicações práticas”.65

O sistema ético de Paulo desenvolveu-se a partir dessa união pessoal do crente com Cristo pela fé. Essa relação vertical deve ser equilibrada por uma relação horizontal na qual o crente se une aos irmãos pelo amor cristão expresso numa vida moral (Ef 1.15; 1 Jo 3.23). A mola-mestra da conduta cristã não é nem o legalismo do judaísmo, nem o racionalismo do estoicismo66, mas o amor cristão (...) Um sistema ético assim não significava repúdio da lei moral judaica, mas sim seu cumprimento no nível mais elevado do amor na família, na comunidade e na sociedade em geral.67

Pohl diz que a mesma separação que havia entre os romanos nas igrejas domiciliares, não fica devendo em nada ao perigo que trazem as diferenças de opiniões nas igrejas atuais.68 As questões dialogismoi de “opiniões pessoais” (as quais não havia necessidade de concordância de todos os cristãos), foram tratadas pelos Reformadores do século XVI como adiaphora, “questões de indiferença”, tanto para questões de costumes e cerimoniais como para questões secundárias que não conflitassem com o credo ou o Evangelho. Seguem algumas questões que Stott registrou como não essenciais:

O batismo (se por imersão ou aspersão); a cerimônia da confirmação (se esta é uma parte legítima da iniciação cristã); a troca de alianças no casamento (que foi veemente contestada pelos puritanos do século XVII); o uso de maquiagem, joias, moda; beber ou não bebidas alcoólicas... Outro exemplo seria a questão dos dons (charismata) – quais são eles e se há uns mais importantes que outros; se a ocorrência miraculosa de “sinais e maravilhas” deve ser frequente ou ocasional; como uma determinada profecia do Antigo Testamento se cumpriu ou haverá de cumprir-se; quando se estabelecerá o milênio; qual é a relação entre história e escatologia; o que é exatamente o céu e o inferno... Nesta e em outras áreas, tanto hoje como na Roma do primeiro século, o problema é lidar com diferenças de consciência em questão sobre as quais a Escritura, ou silencia, ou está aparentemente equivocada, de forma a impedir que elas causem divisão entre os cristãos.69

Pate apresenta uma série de temas atuais não essenciais que ele acredita serem relevantes para as igrejas discutirem, norteados por Romanos 14.1-12:

Comprimento do cabelo para homens; tatuagem; bebidas alcoólicas; fumo; formas apropriadas de entretenimento; tipos de música no culto; ordenação de mulheres para o ministério pastoral; dízimo ou oferta proporcional; se os dons espirituais mais impressionantes ainda estão em operação atualmente; administração da igreja; se a Ceia do Senhor e o batismo são sacramentos ou não.70

Outras questões, as quais se opõem aos padrões bíblicos e que são claramente condenáveis, não podem ser colocados em pauta de discussão. O mais polêmico na atualidade é a questão da homossexualidade e o casamento de pessoas do mesmo sexo.71

Detalhes doutrinários e aspectos culturais, raciais e linguísticos devem contribuir para o crescimento espiritual dos crentes e a evangelização do mundo, e não para difusão de questiúnculas72, batalhas teológicas inócuas, divisões e tropeços fatais no caminho da fé. O cristão “fraco” não é SENHOR do cristão “forte”, nem vice-versa. Todos os cristãos são servos do mesmo SENHOR e somente a Deus cada crente deve prestar contas.73

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Havia um preconceito dos cristãos de origem judaica para com os cristãos de origem gentílica, os quais eram vistos como crentes de “segunda classe”. Paulo proclamava a não distinção, ao dizer que para Cristo não havia distinção entre judeus e gentios (Gl 3.38).74 Entretanto, na contemporaneidade, essa ação julgadora parece persistir em alguns meios, os quais muitas vezes até utilizam os capítulos de Romanos 14 e 15 para impor a outros cristãos uma exaltação das coisas “não essenciais” em “nome da Lei do amor”. Alguns pontos se fazem necessários sobre esta questão: No tempo de Paulo, os romanos não tinham ainda a carta de Paulo para entender que tais ações eram um erro, somente depois de Paulo escrever sua carta à Igreja de Roma, esta pôde consertar-se sobre seus atos de desprezo e condenação. Segundo, os crentes de hoje não receberam uma herança da Lei, a qual pudessem se identificar em seu julgamento. Terceiro, tal tradição dos judeus cristãos era algo com que eles se apoiavam por reconhecerem na Lei sua aplicabilidade, ao contrário de alguns legalismos contemporâneos que não têm respaldo bíblico, mas em induções distorcidas da Palavra para encaixar em uma tradição institucional. Quarto, os cristãos de hoje - diferente dos do tempo de Paulo - já têm a informação dos escritos de Paulo sobre a diferença da Graça e da Lei, assim como têm conhecimento de que as questões dialogismoi “não essenciais” são erros que devem ser evitados. Paulo deixa claro que a posição correta é a dos cristãos de fé forte (14.14,20). “Escreve o tempo todo a partir da perspectiva do forte; e associa-se explicitamente a eles ao escrever: Nós é que somos fortes...” (15.1).75 Assim sendo, existe uma clara distinção quanto à intencionalidade dos cristãos judeus da época de Paulo e os cristãos contemporâneos que atuam de forma legalista na atualidade, que visam muitas vezes impor questões dialogismoi como pecados condenáveis e não por semelhança à Lei (como acontecia com os judeus). O comer, o beber e os dias sagrados são postos como não essenciais por Paulo. Stott alerta que hoje as igrejas têm a mesma necessidade de discernimento em relação a não exaltar as coisas “não essenciais”, em especial as que se referem a costumes e rituais, que muitas vezes tornam-se testes de ortodoxia e requisito para comunhão (Rm 14.17,20).76

Muitos são os temas atuais dialogismoi (não essenciais) que aferem à igreja julgo e condenação (citados acima na aplicação contemporânea de Romanos 14.1-13). Um dos exemplos contemporâneos mais marcantes na cultura das igrejas brasileiras é a questão da condenação ao consumo de bebidas alcoólicas. Vale a pena citá-lo, pois envolve uma relação emotiva semelhante ao sentimento que os cristãos judeus tinham no tempo de Paulo em relação à comida. Este elemento, visto como “contaminação”, pressupõe a boa intenção de que “é melhor prevenir que remediar”. É comum as igrejas tratarem essa questão com uma áurea de “pecado”, mesmo sendo claro na Bíblia que o mal não está no ato de beber a bebida alcoólica, mas em seu consumo excessivo (Pv 20.1; 23.29-35; 31.4-5; Is 24.9; 1 Co 6.9-10; Ef 5.18). O consumo de vinho no acompanhamento das refeições era um hábito que existia em várias culturas registradas tanto no AT como no NT, comum em Israel, como em todos os países do Mediterrâneo, Europa e Ásia, tanto naquela época como na contemporaneidade, sem que houvesse qualquer evidência de condenação da parte de Deus por tal hábito. Uma evidência desta cultura na Palestina mostra-se no primeiro milagre registrado de Jesus, onde Ele transforma água em vinho em uma festa de casamento após o vinho destinado à festa ter acabado, “as bodas de Caná” (Jo 2.1-11). O lagar (tanque ou tina usado para comprimir o sumo das uvas [mosto] antes do processo de fermentação alcoólica para produção do vinho77) é citado em várias partes da Bíblia comumente na cultura hebraica e também como símbolo da própria benção de Deus aos hebreus (Pv 3.10; Jl 3.13; Mt 21.33). Paulo chega a indicar a Timóteo tomar um pouco de vinho e não somente água para os males do estomago (1 Tm 5.23), pois havia muitas fontes de água que eram inseguras para beber por serem contaminadas, e poderia prejudicá-lo.78 O próprio Jesus e apóstolos faziam uso do vinho no acompanhamento da comida; um exemplo está na preparação feita para cerimônia da Páscoa, na qual Cristo usou o vinho posto na mesa para simbolizar seu sangue (Santa Ceia; Mt 26.26-29). Em certa ocasião, Jesus, ao citar a importância de João Batista, também citou os hipócritas que se ativeram às tradições para proferir acusações maliciosas, porém esses não o acusam falsamente pelo fato de beber o vinho (algo que certamente muitos escribas e fariseus também bebiam), mas de ser um beberrão (é um erro prescrito na Palavra): “Porquanto veio João, não comendo nem bebendo, e dizem: Tem demônio. Veio o Filho do homem, comendo e bebendo, e dizem: Eis aí um comilão e bebedor de vinho, amigo de publicanos e pecadores. Entretanto a sabedoria é justificada pelas suas obras” (Mt 11.18-19). A Bíblia é taxativa em condenar o consumo excessivo que leva à embriaguez. Uma colocação mal interpretada que leva muitos ministros religiosos a criarem cargas pesadas de “condenação” e “juízo” aos fiéis, caso estes façam uso de qualquer bebida alcoólica, mesmo que de forma moderada, sendo visto como uma ação “mundana” pelas igrejas.

Jesus está constantemente se opondo ao legalismo, principalmente de ministros religiosos, escribas e fariseus, os quais se referia da seguinte forma: “Pois atam fardos pesados e difíceis de suportar, e os põem aos ombros dos homens; mas eles mesmos nem com o dedo querem movê-los” (Mt 23.4). Enquanto muitos ensinam que o pecado reside nos elementos externos, e não no que verdadeiramente é em sua essência - nas intenções humanas que vem do “coração” - Jesus exorta e esclarece o que é realmente é essencial:

Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! Porque dais o dízimo da hortelã, do endro e do cominho, e tendes omitido o que há de mais importante na lei, a saber, a justiça, a misericórdia e a fé; estas coisas, porém, devíeis fazer, sem omitir aquelas (Mt 23.23).

Não compreendeis que tudo o que entra pela boca desce pelo ventre, e é lançado fora? Mas o que sai da boca procede do coração; e é isso o que contamina o homem. Porque do coração procedem os maus pensamentos, homicídios, adultérios, prostituição, furtos, falsos testemunhos e blasfêmias. São estas as coisas que contaminam o homem; mas o comer sem lavar as mãos, isso não o contamina (Mt 15.17-20).

A Graça de Cristo é manifesta na verdade, na ética e no bom senso em que cada um faz com sua liberdade por meio do livre arbítrio, sendo julgado por Deus e sua própria consciência do que faz de certo e errado. A verdade é um atributo essencial de Deus, por conta que “os fins não justificam os meios”, mesmo que seja por um suposto “bem maior”, como no caso da prescrição da abstinência total do álcool para evitar o alcoolismo nas igrejas, entre outras coisas. Na contemporaneidade, a regulamentação legalista de adiaphoras por alguns ministros religiosos - ao mesmo tempo, que buscam uma santidade para a igreja - levam muitos a se afastarem das instituições religiosas. Isso ocorre por causa do nível de valor dado a coisas não essenciais, o que leva ao constrangimento e “condenação” aos que são fortes na fé, e que muitas vezes veem a instituição como exagerada e hipócrita.

Romanos 14 traz tanto uma admoestação aos fracos e fortes na fé quanto uma apologia à Lei do amor de Cristo. Apesar de colocar a posição do forte na fé como a correta, Paulo é taxativo quanto à primazia da Lei de amor em compreender e não desprezar os de fé fraca. Entretanto, duas indagações se fazem necessárias diante de uma situação de conflito desta natureza: Quais são os critérios dentro da igreja que determinam o que são coisas essenciais e o que não são coisas essenciais? E até que ponto o fraco na fé pode utilizar a Lei do amor de Romanos 14 para impor uma adiaphora, como regra ao corpo de Cristo? Será que muitas igrejas contemporâneas não estão norteando os fiéis a uma vida de santidade “rasa”, onde coisas não essenciais são postas como suficiência à vida cristã? Essas questões têm que ser postas em análise, para que a lei do amor de Romanos 14 não se torne um “salvo-conduto” para os “de fé fraca” imporem erros interpretativos e criarem “regras” e condenações à igreja, e assim também venham a servir de pedra de tropeço aos de fé forte. Por isso, cabe a análise de caso de Romanos, assim como a das igrejas contemporâneas brasileiras, cada qual a seu caso e contexto.

REFERÊNCIAS

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1 Graduado em Artes Visuais pela Faculdade de Artes do Paraná (FAP) e Teologia pela Faculdade de Teologia Integrada (FATIN), Especialista em Práxis e Discurso Fotográfico pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), Mestrando em Teologia pelas Faculdades Batista do Paraná (FABAPAR). Foi professor da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e Universidade do Norte do Paraná (UNOPAR). E-mail: verarte2010@gmail.com

2 Graduado em Teologia e em Filosofia. Mestre em NT pela Faculdade Teológica Batista de SP e Mestre e Doutor em Teologia pela EST / São Leopoldo. Professor e diretor da Faculdade Batista Pioneira (Ijuí / RS) e professor do Mestrado Profissional em Teologia das Faculdades Batista do Paraná. E-mail: claiton@batistapioneira.edu.br

3 POHL, A. Carta aos Romanos: Comentário Esperança. Curitiba: Esperança, 1999, p. 222.

4 PATE, C. M. Romanos: Comentário Expositivo. São Paulo: Vida Nova, 2015, p. 266.

5 POHL, 1999, p. 222.

6 MOO, D. J. Epistle to the Romans NVI: Application Commentary. Grand Rapids: Zondervan, 2000, p .827-828.

7 RIBAS, D. Comentário do Novo Testamento: um guia de aplicação da Bíblia para a vida diária. Rio de Janeiro, CPAD, 2009, p. 85.

8 STOTT, J. A mensagem de Romanos: a Bíblia fala hoje. São Paulo: ABU, 2007, p. 429.

9 BÍBLIA. Português. Bíblia de Jerusalém. Nova edição rev. e ampl. São Paulo, Paulus, 2012, Comentário, p. 1988.

10 BÍBLIA KJA, 2012, Comentário p. 2185.

11 POHL, 1999, p. 223-224.

12 POHL, 1999, p. 224.

13 STOTT, 2007, p. 429-430

14 STOTT, 2007, p. 429-431.

15 MOO, 2000, p. 829-830.

16 “Ainda persistia um antigo sistema sacrificial no centro da vida religiosa, social, e doméstica do mundo romano. Durante a oferta do sacrifício a um deus num templo pagão, somente parte era queimada e, muitas vezes, o remanescente era enviado ao mercado para ser vendido” (RIBAS, 2009, p. 85-86).

17 PATE, 2015, p. 266.

18 BÍBLIA de Estudo Arqueológica: faça uma jornada visual através da vida e dos tempos bíblicos. São Paulo: Vida, 2013, p. 1857.

19 PATE, 2015, p. 268.

20 STOTT, 2007, p. 433.

21 “A palavra ‘acolher’ nos traz de volta ao v 1. Termos contrários, portanto são ‘desprezar’ e ‘condenar’, e mais: ‘pôr tropeço’ (v 13,210 ‘entristecer’, ‘fazer perecer’ (v 150, destruir a obra de Deus nele’ (v 20) e ‘motivo de censura’ (v 160). Que forma de agir terrível entre os membros da comunidade!” (POHL, 1999, p. 225).

22 RIBAS, 2009, p. 86. A frase “no essencial, a unidade; nas coisas não essenciais, a liberdade; em todas as coisas, amor” Pate descreve sendo do teólogo Luterano Rupertus Meldenius (1582-1651) (PATE, 2015, p. 270).

23 PATE, 2015 p. 268.

24 TENNEY, M. C. Tempos do Novo Testamento: entendendo o mundo do Primeiro Século. Rio de Janeiro: CPAD, 2010, p. 84.

25 TENNEY, 2010, p. 270.

26 MAUERHOFER, E. Uma introdução aos Escritos do Novo Testamento. São Paulo: Vida, 2010, p. 410.

27 TENNEY, M. C. O Novo Testamento: sua origem e análise. São Paulo: Shedd, 2008, p. 312 e 314.

28 “’Ficar de pé’ e ‘cair’ é uma forma de descrever a aprovação ou o fracasso na vida terrena, mas na presente passagem, como em Rm 11.11, a pessoa é avaliada no juízo final” (POHL, 1999, p. 225).

29 POHL, 1999, p. 225.

30 RIBAS, 2009, p. 86.

31 RIBAS, 2009, p. 86.

32 CARSON, D. A.; BEALE, G. K. Comentário do uso do Antigo Testamento no Novo Testamento. São Paulo: Vida Nova, 2014, p. 851.

33 Daniel 1.3ss.

34 DUNN, J. G. Romans, in The Word Bibical Commentary. Word Books, dois volumes, 1988, vol. 39B, p. 800, in: STOTT, 2007, p. 432.

35 DUNN, 1988, vol. 38B, p. 795, in: STOTT, 2007, p. 432.

36 DUNN, 1988, vol. 39B, p. 805, in: STOTT, 2007, p. 432.

37 BÍBLIA KJA, 2012, Comentário p. 2186.

38 RIBAS, 2009, p. 86.

39 RIBAS, 2009, p. 86.

40 CERFAUX, L. O cristão na teologia de Paulo. São Paulo: Academia Cristã e Paulus, 2012, p. 210.

41 POHL, 1999, p. 226.

42 RIBAS, 2009, p. 87.

43 RIBAS, 2009, p. 87.

44 RIBAS, 2009, p. 87.

45 Bema (βήμα) primariamente “passo, passada, pisada” (cognato de bainõ, “ir”) literalmente “lugar de um pé”, foi usado para denotar lugar elevado ou plataforma, alcançado por degraus, originalmente o de Atenas na colina Pnyx, onde era o lugar de assembleia onde se faziam discursos. A palavra passou a se referir a uma tribuna, duas das quais eram fornecidas nos tribunais de justiça da Grécia: uma para o acusador e a outra para o acusado. (VINE, W. E.; UNGLER, M. F.; WHITE, W. Dicionário Vine. Rio de Janeiro: CPAD, 2002, p. 1037).

46 Parusia (parousia) – Vocábulo grego que se refere à Segunda Vinda, ou retorno, do Senhor Jesus Cristo ao final desta era para estabelecer seu reino, julgar seus inimigos e recompensar os fiéis. A palavra grega significa literalmente “estar ao lado”, por tanto quer dizer “aparição” ou “presença”. Os cristãos aguardam “a bendita esperança e a manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador Cristo Jesus” (Tt 2.13). Essa bendita esperança da parousia ou segunda vinda sustenta os crentes em meio a uma geração corrupta. (YOUNGBLOOD, R. F.; BRUCE, F. F.; HARRISON R. K. Dicionário Ilustrado da Bíblia. São Paulo: Vida Nova, 2004, p. 1081).

47 VINE; UNGER; WHITE, 2002, p. 1037.

48 “A citação de Isaías 45.23 corresponde literalmente à LXX, exceto na transposição do verbo da segunda oração para depois do sujeito (pasa glõssa), de modo que ele aparece logo antes de seu objeto (exomologésetai to theó). (...) Aqui, entretanto, há uma reversão dramática: o Senhor é aquele que promete. Todo joelho e toda língua reagirão ao reconhecer que “a justiça e a força estão somente no Senhor” (Is 45.24). A tradução da LXX (exomologésetai), que Paulo retoma, aproxima-se do sentido do texto hebraico. (CARSON; BEALE, 2014, p. 852).

49 CARSON; BEALE, 2014, p. 852.

50 RIBAS, 2009, p. 87.

51 POHL, 1999, p. 227.

52 CERFAUX, 2012, p. 223.

53 “Seremos todos iguais no julgamento, que reunirá os que tiverem morrido antes da parusia (e que irão ressuscitar) e os que verão a parusia ainda vivos” (CERFAUX, 2012, p. 223).

54 O corpo aqui tem referência ao problema da sobrevivência entre a morte e a ressurreição (CERFAUX, 2012, p. 223).

55 POHL, 1999, p. 223.

56 LUTERO, M. Tractatus de libertate christiana (1520), em Luthers werke (edição de Weimar) 7 (1897), p. 49 in BRUCE, 2003, p. 195.

57 BRUCE, 2003, p. 195.

58 Cf. Mc 12.31; Lc 10.27; Gl 5.14.

59 Rm 15.3.

60 BRUCE, 2003, p. 327.

61 BRUCE, 2003, p. 194.

62 BRUCE, 2003, p. 194.

63
SCHREINER, T. R. Teologia de Paulo: o apóstolo da glória de Deus em Cristo. São Paulo: Vida Nova, 2015, p. 56-57.

64 SCHREINER, 2015, p. 57-58.

65 CAIRNS, E. E. O cristianismo através dos séculos: uma história da igreja cristã. São Paulo: Vida Nova, 2008, p. 56.

66 Estoicos: filósofos que junto com os epicureus, confrontaram Paulo em Atenas (At 17.18ss.) (...) Essa filosofia, muito influente no período helenista, foi admitida por Sócrates, Aristóteles e pelas Escolas Cínicas. Um panteísmo racional. (...) No estoicismo, Deus não era um ser pessoal, mas uma força espiritual ou energia mental imanente aos homens às coisas. Recebeu os nomes de: Logos ou Razão, Natureza, Providência, Espírito Divino etc. (PFEIFFER, C. F.; VOZ, H. F.; REA, J. Dicionário Bíblico Wycliffe. Rio de Janeiro: CPAD, 2012, p. 702).

67 CAIRNS, 2008, p. 57.

68 POHL, 1999, p. 225.

69 POHL, 1999, p. 434.

70 PATE, 2015, p. 270.

71 PATE, 2015, p. 270.

72 Questiúnculas: (latim quaestiuncula, -ae) substantivo feminino. 1. Questão fútil ou inútil. Discussão inútil. ( Dicionário Priberam da Língua Portuguesa, 2008- 2013 <https://www.priberam.pt/dlpo/questi%C3%BAnculas> Acesso em 15 de junho de 2018.

73 BÍBLIA KJA, 2012, Comentário p. 2185.

74 BRUCE, 2003, p. 173.

75 STOTT, 2007, p. 432.

76 STOTT, 2007, p. 433.

77 Lagar – “Um tanque ou tina usados para comprimir o sumo das uvas. O termo hebraico yeqeb usado cerca de 16 vezes no A T, vem de uma raiz que significa “escavar”. “Todos os lagares [eram] depositados no chão, em um buraco que havia sido cavado ou lavrado na rocha”. (...) Yeqeb pode se referir ao lagar superior onde as uvas eram esmagadas; ou inferior, para o qual o sumo escorria. Este suco de uva em seu estado ainda não fermentado é, as vezes, chamado de “mosto” ou “vinho novo”.

78 GOWER, R. Uso e costumes dos tempos bíblicos. Rio de Janeiro: CPAD, 2002, p. 109.

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