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DISCIPULADO: AUTARQUIA, ANARQUIA, DITADURA – UMA ANÁLISE

Discipleship: autarchy, anarchy, dictatorship - an analysis

Dr. João Pedro Gonçalves Araújo1

Resumo

Este texto aborda o discipulado a partir do acesso e exame de parte da literatura disponível em português. O tema virou moda, metodologia e ganhou sentido de cruzada denominacional. Ao analisar-se os autores aqui citados, faz-se uma análise compreensiva do tema a partir do conceito de um modelo ideal típico: discipulado puro, escolar e pragmático. A ênfase maior fica por conta do modelo aqui chamado de discipulado pragmático, visto que sua utilização figura entre os modelos de se fazer igreja com bastante ênfase no Brasil. Ao final, o autor mostra um descompasso metodológico entre o que se usa e a mudança apresentada por um dos autores estudados neste texto.

Palavras-chaves: Modelo. Célula. Discípulo. Discipulado. Crescimento de igreja.

Abstract 

This text addresses the discipleship from the access and examination of part of the available Portuguese literature. The theme has turned into fashion, methodology and gained a sense of denominational crusade. When analyzing the authors mentioned here, a comprehensive analysis of the theme is made from the concept of a typical ideal model: pure, scholastic and pragmatic discipleship. The major emphasis is on the model here named as pragmatic discipleship, since it’s use is one of the models of becoming a church with a lot of emphasis in Brazil. In the end, the author shows a methodological mismatch between the current one and the change proposed by one of the authors studied in this text.

Keywords: Model. Cell. Disciple. Discipleship. Church growth.

Introdução

Nosso objetivo neste texto é empreender uma análise compreensiva do uso do termo discipulado tomando-se parte da bibliografia disponível em português. Mesmo que de maneira resumida, queremos fazer o que Weber aconselhou: que o cientista, diante de um fenômeno, deve explicá-lo.

As primeiras duas décadas do século vinte e um estão se mostrando férteis na ‘produção’ – tradução – de literatura acerca do discipulado. O termo passou a ser usado como estratégia de crescimento de igreja e treinamento de liderança. Um exame da literatura disponível nos leva a uma pergunta ou suspeita, conforme escrevi no ementário endereçado à ABIBET para a sua 23ª. Conferência em Aracaju, 2018:

Discípulo é uma palavra importante no Novo Testamento […] Por ser tão usado, seu conceito e aplicação deveriam estar claros para os cristãos. Não é, contudo, o que se vê. Quando examinamos o uso e prática atual do que chamamos discipulado, percebemos um pântano conceitual que vai da extrema liberdade individual (autodiscipulado) às formas mais dominadoras dos ‘discípulos’. As abordagens e metodologias são plurais, incluindo conceitos como coaching, trainee, mentoria, liderança e educação. Pode acontecer em ambientes formais e informais, como o ensino bíblico nas escolas dominicais a estudos temáticos individuais – às mais variadas técnicas de crescimento da igreja: MDA, G12, G5, Igreja em Célula e Igreja Multiplicadora.

Ainda que a superexposição do tema já fosse suficiente para escrevermos a partir de uma empiria ou proximidade com o tema, preferi o caminho da abordagem bibliográfica. Tomei alguns autores traduzidos e conhecidos em nossa língua, e, a partir de suas obras, apresento um após outro em forma de ‘escolas’, ou numa explicação ideal típica, para usar uma categoria weberiana. É claro que essas ‘escolas’ são arbitrária e artificialmente construídas. Porém, achei que melhor apresentaria bem o pensamento das diversidades de uso do assunto.

O tema me chamou atenção durante as minhas pesquisas para a escrita do meu livro Discipulado Consistente.2 Depois da escrita, uma ideia me acompanhava: se havia uma diversidade ou unidade na abordagem do tema. Relido o material, percebi que poderíamos classificar o tema em três áreas. Por falta de uma sistematização ou taxonomia já existente sobre o discipulado, atribuí títulos aleatórios e não fechados, visto que estava querendo entender e explicar o fenômeno. Os três modelos são: Discipulado puro ou metafísico, Discipulado escolar ou geral, e Discipulado pragmático.

1. Primeiro modelo

O discipulado puro ou metafísico é representado principalmente por autores europeus, dentre eles Dietrich Bonhoeffer, John Stott e James Houston. Esse modelo eu o chamei de puro porque aborda o tema de forma pessoal, sem mediação entre o homem e o Mediador. O homem está totalmente entregue a uma relação verticalizada com Cristo.

O discípulo de Cristo existe a partir da decisão de responder pessoalmente ao chamado ao seguimento e arcar com as implicações de Jesus a todos os seguidores. Aquele que entra no discipulado se relaciona diretamente com ele através da Palavra, que é o discipulador por excelência. É aqui que o indivíduo é ensinado sobre o que significa seguir a Jesus.

Por motivo de limitação de tempo e espaço, pus aqui em rápidas palavras aquilo que considero o pensamento desses autores. As obras aparecem a partir de uma ordem cronológica de publicação.

1.1 Dietrich Bonhoeffer

Dietrich Bonhoeffer (1906 – 1945) publicou o seu livro Discipulado em 1937. Esse autor analisa o discipulado como a libertação de todo e qualquer preceito humano. Seguir Jesus é deixar para trás o duro jugo das leis e seguir o suave jugo de Jesus. Esse seguimento só é possível numa permenência total no mandamento de Cristo. A chamada para o discípulo é incondicional e se torna possível somente em comunhão com ele. Por conseguinte, a comunhão com Cristo é participação do seu martírio.

Bonhoeffer analisa a vida de Lutero para tratar do discipulado de Cristo. Ser discípulo, então, não significa um tipo de afastamento do mundo – viver em um mosteiro – mas o abandono do mosteiro para voltar a viver no mundo. A santidade e humildade do mosteiro podem revelar mérito e autoafirmação do discípulo. A santidade do discípulo é intra, não extramundana, ainda que deva ser extraordinária (gr.: perisson). O discipulado só existe para ser vivido dentro do mundo. Querer ser discípulo fora do mundo pode levar a pessoa a desenvolver uma vida de autojustificação e isso seria levar o mundo para dentro do mosteiro.

Segundo Bonhoeffer, “nada é mais importante que o chamado, e nada ocorre além da imediata obediência daquele que foi chamado”.3 O conteúdo e centro do discipulado se resumem nas expressões “Segue-me! Vinde após mim”. Discipulado é compromisso exclusivo com a pessoa de Jesus. Esse compromisso se mostra pelo primeiro passo: a obediência. Homens e mulheres que se encontraram com Jesus precisavam dar passos claros de obediência, seguimento e confiança total em suas palavras para que fossem considerados discípulos.

O que a pessoa deixa para trás a fim de seguir a Jesus nada tem de especial. Quem segue a Cristo o faz simplesmente por causa do chamado. “O discípulo deixa sua relativa segurança de vida e segue para a completa insegurança; deixa uma situação aparentemente previsível e calculável, para a imprevisibilidade, para o acaso total”.4

Discipulado é rompimento. Não se pode ser discípulo e continuar a viver a vida anterior. O chamado de Jesus destruía “quaisquer vínculos anteriores e os transformava em união exclusiva com Jesus Cristo”.5

A vida de Bonhoeffer, sua iminente prisão e a possibilidade de sua morte influenciaram muito a análise que fez do seguimento de Jesus. Palavras como sofrimento, martírio, sacrifício, aparecem muitas vezes na sua obra. A título de exemplo, vejamos uma das várias passagens sobre o tema como sendo igual a sofrimento e rejeição:

Assim como Cristo só é Cristo sendo aquele que sofre e é rejeitado, também o discípulo só é discípulo no sofrimento e na rejeição, como se com ele fosse crucificado (...) A cruz não é tragédia nem infortúnio; é o sofrimento resultante da união com Cristo. A cruz não é sofrimento casual, mas sofrimento necessário. A cruz não é sofrimento relacionado à existência mundana, mas sofrimento próprio da existência cristã (...) A alguns Deus honra com grande sofrimento, dando-lhes até a graça do martírio (...) quem entra no discipulado entrega-se à morte de Jesus, põe a vida à disposição da morte. A cruz não é o fim terrível de uma vida feliz e piedosa; ela se encontra no início da comunhão com Jesus. Todo chamado de Jesus leva à morte.6

A decisão do discipulado é o confronto que a pessoa tem consigo mesma. Ser discípulo se dá na solidão de cada um. É na decisão pessoal que se torna um indivíduo. Da mesma forma que o chamado é individual, sozinho o discípulo deve seguir o seu caminho de obediência. “Nesse momento, nem pai nem mãe, nem esposa nem filhos, nem povo nem história podem ocultar aquele que foi chamado. Cristo quer que ele esteja só, que não veja ninguém, exceto aquele que o chama”.7

O discípulo ouve o chamado e responde positivamente a Jesus. Não há algo como um voluntarismo ou alguém que seja discípulo por vontade própria. Discipulado só existe na individualidade. Porém, o discípulo não vive só, isolado. Ele convive com outros discípulos que responderam da mesma forma que ele. O encontro do discípulo com outro se realiza na medida em que eles se encontram na companhia de Jesus. O encontro do discípulo “com o outro nunca é o encontro livre entre duas pessoas que possuem opiniões, medidas e juízos totalmente diferentes, o discípulo pode se encontrar com o outro somente como alguém ao encontro de quem o próprio Jesus está indo”.8

O discípulo ouve hoje as palavras de Jesus na leitura das Escrituras. É por elas que ele continua presente entre os discípulos, mas se mostra também na Igreja através dos sacramentos. “Quem quiser ouvir o chamado de Jesus ao discipulado não precisa de uma revelação pessoal. Ouça a pregação (...) receba o sacramento, ouça neles a ele próprio, e ouvirá o chamado!”9

1.2 James Houston

De acordo com James Houston (Edimburgo, 1922), os homens contemporâneos vivem pela busca de significado para si mesmo e como achar a sua identidade. Nesse processo buscam modelos metaéticos (históricos) de mentoria, dentre os principais: modelo heróico, estoico e terapêutico. No modelo heróico, busca-se uma expressão mais consciente que sirva de base justificadora de seu comportamento; a mentalidade estoica caracteriza-se por uma busca de um tipo de moralidade virtuosa de conduta que lhe dê sentido. A mentalidade terapêutica está voltada para a saúde e cuidado consigo.

Para esse autor, o cristão é mentoreado pelo encontro pessoal com o Deus da fé, um Deus cuja natureza é pessoal. O conhecimento pessoal e a resposta a esse Deus ético se dão em uma adoração verdadeira, fruto do estudo da Bíblia e da oração. Conforme escreveu:

Ao escrever este livro, fui movido pelo forte desejo de fazer as pessoas refletirem sobre a vida e buscarem reviver a vida cristã como uma amizade simples e gostosa. Meu objetivo é o de nos ajudar a nos conhecer diante de Deus, como amigos de Deus que se relaciona conosco de forma transparente e nos trata como somos [...] Cada um precisa de uma atenção personalizada no discípulo ou na mentoria, para que sejam orientados a “construir nossa identidade”, como retidão, protegidos e guiados em nossa própria jornada de fé.10

O verdadeiro discípulo de Cristo é aquele cujo relacionamento está baseado em Deus através do Espírito, não nas disciplinas espirituais ou em preceitos terapêuticos ou moralistas. A chave para esse relacionamento é a graça de Deus. Para encontrar o ponto de equilíbrio do que venha a ser um verdadeiro discípulo, Houston buscou em Kierkegaard, a quem chama de ‘gênio’ e o ‘mais profundo intérprete da psicologia da vida religiosa’, a base de sua análise.

O modelo de mentoria cristã tem o seu início em um encontro pessoal com Jesus Cristo e pela resposta que o homem dá a esse encontro. Ainda que o cristão precise de um mentor para viver de forma equilibrada, ele só pode ajudar se fizer “brotar de dentro da própria pessoa que está sendo mentoreada [...] (ela) precisa se apropriar pessoal e adequadamente desses novos conhecimentos, assim como, no parto, é a mãe e não a parteira que efetivamente dá à luz”.11

O discípulo vive a verdade, que se torna um instrumental para a transformação. Isso é mais importante que limitar-se a ouvir sermões. Para se viver a partir da verdade, o cristão precisa ser um leitor honesto para poder aplicar a verdade à sua vida.

Visto que o cristão existe somente diante de Deus, sua vida deve ser vivida na intimidade com Deus. O cristão é alguém que se relaciona pessoal e intimamente com Deus. Para se chegar a esse nível de intimidade, o homem precisa aprender a viver transparentemente diante de Deus. Quanto mais ele se reconhecer pecador, mais precisará de Deus e mais dele receberá ajuda.

Essa intimidade pode ser vista no ato da leitura. Para Kierkegaard, é preciso cultivar a vida de ficar a sós com a Palavra. Quem não fica a sós com a Palavra de Deus não está lendo a Palavra de Deus. Daí que o cristão só poder fazer algo de acordo com a ajuda que venha a receber de Deus no seu íntimo.

Depois da Bíblia, o discipulado é vivido em comunidade através das orações e pregações. Outra forma de viver o discipulado em comunidade é através da participação nos sacramentos: batismo e ceia do Senhor. São nesses momentos que a pessoa mostra a sua comunhão com o Cristo ressuscitado.

1.3 John Stott

O discípulo radical é o último livro de John Stott (1921 – 2011). Ele o escreveu sabendo que seria a sua última obra que deixaria para a humanidde. Ele mesmo escreveu o pós-escrito: “Adeus! Ao baixar minha caneta pela última vez aos 88 anos, aventuro-me a enviar essa mensagem de despedida aos meus leitores”.12

Para esse autor, o discípulo é a pessoa que se comprometeu completamente com Cristo e tem uma atitude diferente com as diversas tendências contemporâneas: pluralismo, materialismo, relativismo ético e narcisismo. Diante desses sitemas de valores, o discípulo conta com a vontade revelada, a Palavra de Deus. Assim, discípulos radicais – aqueles que conhecem e estão fundamentados na Palavra “tem pouca dificuldade de fazer suas escolhas”.13 Para as quatro correntes contemporêneas, John Stott oferece uma resposta para o discípulo radical:

Diante do desafio do pluralismo, devemos ser uma comunidade de verdade, declarando a singularidade de Jesus Cristo. Diante do desafio do materialismo, devemos ser uma comunidade de simplicidade, considerando que somos peregrinos aqui. Diante do desafio do relativismo, devemos ser uma comunidade de obediência. Diante do desafio do narcisismo, devemos ser uma comunidade de amor.14

Depois de confrontar as tendências contemporâneas, Stott discorre acerca do fim último do homem. Depois da conversão, o que viria? Para ele, a resposta se resume de forma simples em saber que a vontade de Deus é que “seu povo se torne como Cristo, pois semelhança com Cristo é a vontade de Deus para o povo de Deus”.15 Esse propósito é eterno (passado), histórico (presente) e escatológico (futuro).

Visto que se tornar como Cristo é a vontade de Deus, também deve se tornar o principal objetivo do discípulo. O autor considera que esse assemelhar-se acontece em cinco áreas principais: encarnação, serviço, amor, longanimidade e missão.

Uma necessidade que John Stott sentia entre os crentes do seu tempo era a não existência de profundidade no conhecimento de Deus, de Cristo e dos temas espirituais. O evangelho crescia geograficamente em todo o mundo, mas, segundo via, não tinha raiz, os crentes não cresciam. Eram, por conseguinte, superficiais, crianças espirituais.

Para resolver o problema do crescimento sem profundidade, do crescimento estatístico sem discipulado, o autor aponta a necessidade de um crescimento na direção da maturidade. Todo crente, para se tornar um discípulo radical precisa chegar ao teleios, o estado de maturidade recomendado pelos apóstolos nos escritos do Novo Testamento, visto que, atualmente, a “maioria de nós sofre de imaturidades prolongadas. Mesmo no adulto, a pequena criança ainda se esconde em algum lugar”.16

O estado de maturidade cristã vem de um relacionamento maduro com Cristo, ou seja, de uma visão clara de quem ele seja e da posição que o crente tem dele. A maturidade em Cristo é nada mais que uma visão renovada de Jesus. A Bíblia apresenta Jesus como o Senhor de tudo: da criação, do universo e da igreja. É essa a visão que o discípulo deve ter de Jesus. O Cristo Senhor só pode ser achado em dois locais: nas páginas da Bíblia e na pregação nos púlpitos. Logo, conhecer a Bíblia é conhecer a Cristo.

Por ser Cristo criador e dominador do universo, o seguidor tem responsabilidades de preservação e adoração. O homem é responsável por trabalhar e preservar ecologicamente o mundo em que vive. Por outro lado, é preciso descansar do seu trabalho para poder adorar. É no trabalho e na adoração que o homem encontra significado da sua existência como discípulo.

Joel Comiskey escreve que o discipulado subjetivizado e desencarnado é fruto de culturas individualistas.17 Os autores, influenciados por suas próprias culturas, não conseguem pensar diferentemente do ambiente em que foram criados. Dessa forma, a igreja tende a fazer teologia a partir da influência cultural do seu tempo e do povo onde está inserida.

Se se pode resumir este modelo de vida é: ser discípulo é ‘aprender a ser’.

2. Segundo modelo

O segundo modelo de discipulado é aquele praticado nas igrejas do protestantismo histórico – de Missão: presbiteriano, metodista e batista – modelo recebido via missionários dos Estados Unidos. Aqui, discipulado se compara a uma classe de aprendizado, uma espécie de ensinamento dos primeiros passos para a vida cristã. Em algumas igrejas, o catecumenato é a porta de entrada para a vida cristã.

Depois de um tempo de doutrinação, o indivíduo passa a ser considerado um discípulo e estará apto a ser batizado e ter direitos eclesiásticos – tomar a ceia – e denominacionais – votar e ser votado a uma posição eclesiástica.

Depois dessa fase inicial, poderá passar o resto da vida na condição de aprendiz através da Escola Dominical. Neste estágio, seus estudos não têm fim, nunca se formará, será desafiado a assumir uma posição de ensino ou nunca se sentirá apto a fazer qualquer atividade na sua comunidade local.

Esse modelo de discipulado escolar deixa o crente dependente de alguém que lhe ensine desde o primeiro dia em que chega à igreja até ao dia da sua morte. Todos dependem dos pastores. Essa dependência chega até a soar ofensiva quando desafiados a servir em alguma área. Nesse caso, a igreja se resume a uma plateia de ‘espectadores de performances clericais’18, assistindo à liderança e artistas (músicos) a cada culto. Como escreveu Comiskey, são ‘degustadores de sermões’.19 O pastor é considerado – não abertamente – o grande sacerdote, o único com preparo suficiente para administrar os bens religiosos.

Ao analisar a EBD tradicional, Joel Comiskey afirma que o crente é ensinado a viver diante de Deus. O problema, porém, é que a pessoa passa a vida aprendendo sem estar preparada para fazer alguma coisa no futuro com aquilo que aprendeu, visto que o material usado é ‘infindável’.20 Baseados na educação geral, os líderes acreditam que as pessoas farão algo prático com aquilo que aprendem. Mas, em geral, as pessoas estão apenas alimentando suas curiosidades espirituais. Pressupondo ser este modelo conhecido da maioria dos leitores, deixo de citar os autores representantes de modelo ideal típico ou a fundamentação teórico-denominacional.

A palavra que pode resumir este modelo de discipulado é ‘aprender a saber’.

3. Terceiro modelo

Chamei esta parte de Discipulado pragmático porque, neste modelo, o objetivo é transformar o discípulo em um obreiro, líder de célula ou uma área qualquer em sua igreja local. Os principais autores aqui listados, Joel Comiskey e Dave Earle são praticamente os que mais publicam sobre liderança na igreja no final do século vinte e início do vinte e um.

No Brasil, seus livros são traduzidos e publicados pelo Ministério Igreja em Células – mais recentemente alguns dos seus livros foram publicados pela Junta de Missões Nacionais da Convenção Batista Brasileira. Esses dois autores têm influenciado as práticas das igrejas em Célula e da Igreja Multiplicadora. Este último foi recentemente adotado pelos batistas brasileiros e já se espalha por igrejas de outras convenções e congregações independentes.

O modelo pragmático é uma derivação do movimento de Crescimento da Igreja, iniciado a partir da segunda metade do século vinte. O material publicado por esses autores visa orientar os pastores no passo a passo da formação de novos líderes que ajudarão na multiplicação de Pequenos Grupos/Células. A célula na igreja toma a forma de um laboratório de estudo prático. Ela tanto substitui as classes bíblicas como os seminários de treinamento. É nas células que se aprende sobre como viver com Jesus, mas, principalmente, a pessoa aprende a liderar pessoas nos novos grupos, que se multiplicarão a partir das células.

Este modelo, na verdade, não é único. Tanto Dave Earle quanto Joel Comiskey escrevem seus livros a partir de pesquisas que fazem em todos os continentes onde souberem de igrejas que estão crescendo exponencialmente usando o modelo das células. Por falta de espaço, o material de Dave Earley figurará aqui de maneira secundária.

3.1 Joel Comiskey

Como as pessoas são lançadas a um patamar de liderança em até um ano depois que chegam à igreja, o treinamento se limita a dar técnicas de liderança, incentivo para se chegar a atingir metas de produtividade e encorajamento constante para que o líder não desista do seu trabalho em virtude das dificuldades e adversidades inerentes à liderança.

Um detalhe interessante – por isso modelo pragmático – é que os escritores estão convictos de que aquilo que escrevem funciona sempre. “Este livro enfoca”, escreveu Comiskey, “como uma igreja pode desenvolver com eficácia líderes nas células e por meio das células”21; “Este livro trata do preparo de líder para fazer a colheita”.22 E, mais à frente: “Como líderes, é importante comprometer cada membro com o treinamento (...) faremos uma colheita enorme (...)”.23

O trabalho – pastor e líder de célula – é direcionado exclusivamente para o preparo de liderança da célula: “A prioridade máxima do líder de célula é identificar auxiliares em potencial e começar o processo de mentoreamento (...) seu trabalho fundamental é encontrar, treinar e enviar novos líderes (...) O foco não é começar grupos nas casas, mas treinar um número cada vez maior de líderes”.24 A função pastoral está definida páginas adiante: “O papel do pastor é treinar outros para a obra do ministério (...) O alvo do pastor de uma igreja baseada em células é pastorear aqueles que estão pastoreando a igreja”.25

O foco é o crescimento da igreja que se dá através da célula: “A menos que você tenha um plano claro para transformar os frequentadores da igreja em líderes, os altos e baixos na frequência da igreja continuarão”.26 Neste livro, a reprodução da célula está em segundo plano, é corolário do trabalho de equipar os crentes para a liderança. Aqui, discipulado e liderança são conceitos próximos: “O objetivo do ministério de Jesus em meio à multidão era converter o povo em discípulos. O propósito de Jesus foi sempre preparar seguidores comprometidos em vez de entusiastas (...) Igrejas em células focalizam no treinamento das massas para tornarem-se líderes”.27

As pessoas são chamadas da multidão para as células. Ali, o líder foca em uma pessoa com potencial de liderança. Ela será convidada a ser treinada em grupo e em particular. Ela receberá atenção pessoal, treinamento e conhecimento adicional em classes. As classes, quando existem, servem ao propósito de aperfeiçoar a futura liderança. O que faz a igreja em célula funcionar não é a educação geral, prolongada, sem objetivo, mas o treinamento. Este tem curta duração, tem tempo para começar e terminar e é feito com um objetivo: colocar pessoas em posição de serviço.

Mentorear, nesse sentido, é entendido como um tipo de aconselhamento ocasional, um discipulado avançado ou cuidado mais aprofundado. Se Houston advogava um mentor que agisse de maneira informal e indireta, Comiskey aconselha que, para que funcione de forma adequada, deve haver um acordo prévio, onde quem vai ser mentoreado aja de forma obediente, “a pessoa que está sendo mentoreada deve demonstrar uma atitude de submissão voluntária para que os conselhos e as atribuições sejam respeitados e cumpridos”.28

Ainda que afirme que mentoreamento não seja discipulado, o resultado é o mesmo: “O objetivo do mentor é guiar um novo-convertido para a maturidade, com o objetivo maior de preparar a pessoa para a liderança de uma célula (...) O mentor gasta tempo suficiente com o novo convertido até que ele esteja pronto para ser encaminhado para o próximo elo (...) liderança eficiente”. O círculo estará completo quando o mentoreado começar a mentorear outras pessoas.

Uma variação do modelo pragmático é o treinamento ‘um a um’. Aqui, segundo Comiskey, existe o perigo de treinamentos baseados em personalismos, onde o discipulador é um tipo de guru, dando oportunidades para que o discipulado dê oportunidade para a dominação de um sobre o outro.

Todo trabalho da célula visa treinar seus componentes a serem obreiros no futuro, daí a palavra que caracteriza o discipulado aqui é ‘aprender a fazer’.

3.2 A mudança da mudança

Ao examinarmos o material de discipulado, como fizemos aqui e em especial tomarmos o que está sendo produzido pela Editora Igreja em Células, percebemos que o tema está passando por uma reconstrução contínua em suas bases teóricas, filosóficas e práticas e fundamentos bíblicos.

Tomando-se, por exemplo, o livro Multiplicando a liderança, edição original (2000) – edição brasileira (2008), vê-se que o autor acena com uma mudança na sua abordagem sobre a igreja em célula no tocante ao seu objetivo primeiro. Essa mudança ocorreu em 1997.

Ao escrever seu livro Fazer discípulos na igreja do século 21 (edição brasileira, 2017), o autor deixa claro que seu foco inicial, ao escrever sobre células se baseava no modelo de Crescimento da igreja: “Durante anos pensava que desenvolver liderança era a essência das células. Comecei a enxergar lacunas no uso da palavra líder em 2001 (...) passei a reconhecer que a Bíblia não dizia diretamente que todos seriam líderes”.29

Temos, então, algumas fases distintas no representante do modelo pragmático: do grande grupo para a célula, do prédio da igreja para as casas, do pastor para o leigo, do domingo para os dias da semana. Essas ênfases mudaram também as estratégias de trabalho: o crescimento da igreja através das células; o treinamento de liderança para o crescimento das células e consequentemente da igreja, e a ênfase no fazer e treinar discípulos. “Durante muitos anos meu maior entusiasmo” escreveu, “estava nas razões pragmáticas do ministério de células e eu promovi metodologias-chave para ajudar igrejas a crescerem por meio das células (...) Com o tempo, percebi a necessidade de começar com uma base teológica sólida”.30

Em Fundamentos bíblicos para a igreja baseada em células, escreveu que as pessoas “(...) muitas vezes interpretam a Bíblia de forma a justificar o seu ponto de vista. A igreja em célula também fez isso e eu sou tão culpado quanto qualquer outro”. Nesse tipo de mea culpa, na mesma página, afirma que permitiu “que a evidência bíblica critique ou promova o ministério baseado em células hoje”.31 Ao explicar e criticar a razão de abordagem pragmática e reducionista da Bíblia, afirma que seu fundamento está “no excesso de leitura bíblica dos crentes através das lentes do individualismo”.32

Joel Comiskey escreve que as células se tornaram um ‘modismo’ na última década do século vinte. Ao descrever um relato histórico de sua relação com células, argumenta que ficou apaixonado “pelo seu potencial de crescimento”, porém, confessa, não priorizou “o aspecto teológico tanto quanto o pragmático”.33 Essa mudança aconteceu quando percebeu que as céluas eram “muito mais do que uma técnica de crescimento de igreja”. Concluiu, portanto, que sua teologia de crescimento de igreja era ‘deficiente’.34 O autor afirma também que muitas vezes os pastores optam por um modelo igual ao das células para suas igrejas por não terem muito fundamento bíblico, além de serem levados por modelos mais populares no momento.

Em Fazer discípulos no século 21, Comiskey escreve que o “crescimento da igreja em célula é uma motivação fraca para se fazer o ministério em célula, porque torna-se fácil buscar o crescimento nas técnicas em vez de em Deus”. Houve uma ligeira mudança do pragmatismo, que afirmava ser a célula quase que uma certeza apodítica de crescimento da igreja. Agora, porém, segundo sua nova forma de pensar as células e a igreja, somente “Jesus pode trazer crescimento qualitativo, duradouro (...) e eterno”.35

Nessa nova fase do pensamento do autor, o modo de preparação de líderes passou por uma releitura. Mudaram também as exigências que se faziam quando uma determinada metodologia de um modelo de célula era passada de uma igreja para outras: “Algumas igrejas em células exigem total obediência na troca de novas informações acerca de seu modelo. Afirmam que a chave para a implementação bem-sucedida também é estar debaixo de sua cobertura, o que muitas vezes sinaliza controle”. O que aconteceu hoje é que “a maioria das igrejas percebeu a inadequação de seguir sem reservas o modelo” e passou a vigorar a adaptação de princípios.36

O primeiro livro que escreveu demonstrando a passagem ou mudança de paradigma foi Fundamentos bíblicos...: “Fiz disso uma prioridade para responder a mim mesmo as questões teológicas relativas ao ministério e por isso escrevi em 2012 o livro Fundamentos bíblicos para a igreja baseada em células”.37 Segundo o seu relato literário-biográfico, antes “pensava que desenvolver liderança era a essência das células”. No entanto, chegou a novas conclusões depois de aprofundadas pesquisas: “Comecei a enxergar lacunas no uso da palavra líder em 2001. Defendia o ponto de vista de que todos na igreja deveriam se tornar líder (...) Era um conceito excelente, mas simplesmente difícil de defender”.38

Nesta fase, fazer discípulos se tornou central: “A ordem clara de Cristo”, escreveu, “era de fazer discípulos que fazem discípulos (...) Jesus diz ao seu grupo de discípulos para desenvolver outro grupo de discípulos”.39 Portanto, o mandato de Deus não é desenvolver liderança, pois, segundo entende, “Deus escolheu a igreja para fazer discípulos – tanto hoje como na época do Novo Testamento”.40 Logo, o ministério de células “não trata primordialmente de células, mas de fazer discípulos”.

Nota-se uma mudança no conteúdo dado ao discípulo nesta obra: “Deus escolheu a igreja para fazer discípulos (...) A célula proporciona uma estrutura menor de prestação de contas que possibilita o desenvolvimento de relacionamentos mais profundos”.41 O autor escreve que o plano de Deus é “nos tornar conformes à imagem de seu Filho, seu objetivo é nos moldar e transformar por meio de outras pessoas (...) a Trindade deseja nos formar e moldar em conformidade com a sua natureza trinitária”.

O entendimento da natureza trinitária de Deus é o caminho e ponto de partida para a formação de discípulos. “Quando entendermos quem ele é e o amor que procede da Trindade, permitiremos que ele faça de nós discípulos relacionais”. O discipulado é forjado nos pequenos grupos que “contribuem para o processo”. Essas reuniões ajudam “os membros a retirar as máscaras e participar na vida uns dos outros ao permitirem que o amor prevaleça”.42 Os pequenos grupos são o “veículo para o nosso crescimento e desenvolvimento como discípulos. Precisamos da interação com outros para crescer como crentes”.43

O treinamento não é mais a prioridade zero, como nas outras literaturas publicadas. Citando David Jaramillo, escreve: “Quando nos referimos ao discipulado, precisamos pensar em termos de relacionamento, e não um mero processo de treinamento. O relacionamento de discipulado é melhor transmitido por meio do processo que compartilha vida, incluindo emoções, valores e experiências”.44 O discípulo, pelo compartilhar que acontece no pequeno grupo, é formado a partir da prática do sacerdócio de todos no grupo.

A multiplicação das células ganhou novos contornos, pois, agora, resulta “da saúde da célula. Ela não é o objetivo. O objetivo é fazer discípulos que fazem novos discípulos (...) Ficou claro para mim que a multiplicação não podia ser o objetivo principal – como eu pensava em 1997”.45 Adiante, escreve: “A multiplicação é o resultado de um foco em fazer discípulos que fazem discípulos. Um discípulo saudável é moldado e formado em uma célula cheia de vida (...) A missão é fazer discípulos que fazem discípulos – como Jesus ensinou”.46

O tempo da multiplicação, antes um item quase obrigatório e com prazo, passou a um plano secundário: “Quando passei a compreender que células saudáveis se multiplicam porque os discípulos estão preparados e prontos para começar novos grupos”, afirma, “comecei a concentrar em fazer discípulos e parei de me preocupar com o tempo que levaria para multiplicar”. Antes, estava mais preocupado com a multiplicação num determinado prazo ou data.47 De acordo com sua nova maneira de pensar, ele colocava a corroça à frente dos bois. Antes, a ênfase estava na multiplicação. O discipulado era o resultado da multiplicação.

O discipulado é praticado em dois momentos, tanto no grande grupo – celebração dominical –, na pregação do pastor quanto no pequeno grupo. Ao se referir às igrejas do Novo Testamento, o autor afirma: “Os discípulos eram formados tanto na igreja nas casas como na assembleia reunida”.48 Há, contudo, uma questão de ênfase em cada tipo de reunião. Nas células, o discipulado é prático. “O propósito é aplicar a Palavra na vida. O objetivo é cada um sair dali transformado em vez de informado”.

No grande grupo, que agora ganhou novos contornos, o ensino é “mais aprofundado”. Esse é o tempo da pregação da Palavra. No discipulado do grande grupo, os pastores – mais bem formados que os líderes das células – podem aprofundar um ensino, falar de passagens complexas e preencher algumas lacunas doutrinárias. O discipulado “da celebração ajuda os membros a verem o quadro maior, uma vez que todos adoram em um ambiente festivo. Ambos (PGs e grande grupo) são essenciais no processo de se tornar mais parecido com Jesus”.49

Ainda que nosso tema aqui não seja célula, vale reproduzir seu novo conceito de célula: “Um grupo de três a quinze pessoas que se reúne semanalmente fora do prédio da igreja com o propósito de evangelismo, comunidade e crescimento espiritual com o objetivo de fazer discípulos que fazem discípulos, o que resulta em multiplicação”.50

Não se pode afirmar, contudo, que a mudança de treinamento para compartilhamento foi totalmente mudada. Em Fundamentos... que trata do sacerdócio dos crentes (4), o autor emprega o termo discípulo parecido com líder, como antes. “Na medida em que compartilham suas histórias, fazem pedidos de orações e ministram umas às outras, são transformadas no processo, se tornam os ministros e crescem como discípulos”.51 Discipulado ‘ativo’ é usado para significar a formação do discípulo através da prática do sacerdócio pessoal.

Vê-se que não se muda o conceito de líder nem sua função na célula. “Na célula, cada pessoa desempenha um papel essencial (...) O objetivo é que todos participem, descubram seus dons e ministrem aos outros”.52 Ideia reforçada em: “O propósito específico de homens e mulheres com dons é preparar a igreja para o crescimento e expansão”. O foco continua sendo capacitar os crentes “a fim de que o corpo seja edificado e mobilizado para o serviço”. Os conceitos se juntam: “É muito importante que seus discípulos-chave se tornem líderes e supervisores de suas células”: “O tempo de discipulado com eles incluirá mentoria sobre como liderar multiplicar e supervisionar suas células de maneira eficaz”.53

A formação dos discípulos permanece nas células. Nelas, os discípulos são ‘formados e transformados’.

Deixo aqui um convite para futuras pesquisas ou o aguardo de novas literaturas no sentido de concluir com segurança a mudança de abordagem e até onde ela foi.

3.3 Uma palavra sobre metodologia de discipulado

Uma obra de um autor leva tempo entre a pesquisa, maturação e publicação. Depois de publicada, leva outro tempo para a tradução, leitura e conhecimento em outra língua. A Igreja Multiplicadora usa a literatura e ensino de Joel Comiskey como práticas metodológicas. Os livros publicados sobre grupos e discipulado são debitários de Ralph Neighbour, Joel Comiskey e Dave Earle. Os pastores batistas cujas igrejas se despontam em pequenos grupos começaram, quase todos eles, com material de Igrejas em Células e leram o que foi produzido por esses autores. Tal débito se vê quando deixam escapar o termo célula no lugar de pequeno grupo.

Enquanto se acostumam com o linguajar, metodologia e prática, usam materiais traduzidos: Multiplicando a liderança (Joel Comiskey) e Transformando membros em líderes (Dave Earley).54 Esses livros foram escritos no início do século vinte e um. Esse hiato temporal faz com que igrejas e pastores brasileiros estejam começando a aprender um conceito metodológico que Joel Comiskey já abandonou. O manual já foi mudado, mas os alunos ainda não sabem. A demora da tradução faz com que muitos aprendem com um professor que já se desfez da sua metodologia.

Os novos livros que tratam da mudança metodológica foram publicados no Brasil em 2017. Isso representa muito pouco tempo para que os ensinadores adaptem as mudanças ocorridas nos manuais. Assim, corre-se o risco de ensinadores e aprendizes estejam se apossando ou reproduzindo uma metodologia com prazo de vencimento já ultrapassado.

ConSIDERAÇÕES FINAIS

O discipulado, dependendo do autor, pode significar em nossos dias algo como “cresça sozinho”, “cresça comigo” e/ou “faça como eu faço”.

Cada autor ou escola pretende abordar um determinado tema com ideias universalizantes. Ainda que seja assim, é sempre possível alguém afirmar/negar de algo que se disse/afirmou. Daí que uma escola ao pretender tratar um tema de forma completa, pura ou universal, arrisca-se a ser tal abordagem incompleta, tendenciosa e reducionista.

Um tema como o discipulado, no lugar de fechar-se nesta ou naquela escola, deveria, talvez, ser visto englobadamente. Para que alguém seja discípulo e esteja aprendendo e seguindo a Jesus, é preciso ser mentoreado por alguém. Quando Jesus chamou pessoas para o discipulado, incluiu como tarefa inicial um chamado: “Vinde após mim”. Esse chamado tem uma segunda ‘perna’, um aprendizado: “Eu vos farei pescadores de homens”.

Depois da sua ressurreição, Jesus comissionou os seus discípulos: “Vão e façam discípulos”. O final do ciclo do seguimento é o início de um novo: fazer novos discípulos. Fazer discípulo é a tarefa de quem recebeu um chamado para vir e ser discípulo. Entre a primeira, ‘vir’, e a última, ‘ir’, existe o ‘eu vos farei/aprendei de mim’. Ir inclui uma tarefa ortopedagógica: ensinar a guardar. Discipulado é seguir, aprender e fazer. O aprendizado no seguimento inclui algo a ser feito: ensinar a guardar. Na verdade, a tarefa só estará completa com o vir, aprender, ir e ensinar a guardar.

REFERÊNCIAS

ARAÚJO, João Pedro G. Discipulado consistente. Taubaté: Vital, 2018.

BONHOEFFER, Ditrich. Discipulado. São Paulo: Mundo Cristão, 2016.

COMISKEY, Joel. Seja um supervisor de células eficaz: dicas práticas para apoiar e mentorear líderes de células. Curitiba: Ministério Igreja em Células, 2006.

__________. Multiplicando a liderança: preparando líderes para fazer a colheita. Curitiba: Ministério Igreja em Células, 2008.

__________. Fundamentos bíblicos para a igreja baseada em células/pequenos grupos: lições do Novo Testamento para a igreja do século 21. Curitiba: Ministério Igreja em Células, 2017a.

__________. Fazer discípulos na igreja do século 21: como a igreja baseada em células/pequenos grupos faz seguidores de Jesus. Curitiba: Ministério Igreja em Células, 2017b.

EARLEY, Dave. 8 hábitos do líder eficaz de grupos pequenos. Curitiba: Ministério Igreja em Células no Brasil, 2006.

__________. Transformando membros em líderes: como ajudar os membros do seu grupo pequeno a liderar novos grupos. Curitiba: Ministério Igreja em Células, 2009.

HOUSTON, James. O discípulo: o aprendizado é uma longa caminhada com o verdadeiro mestre. Brasília: Palavra, 2010.

STETZER, Ed; QUEIROZ, Sérgio. Igrejas que transformam o Brasil: sinais de um movimento revolucionário e inspirador. São Paulo: Mundo Cristão, 2017.

STOTT, John. O discípulo radical. Viçosa: Ultimato, 2011.

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1 Bacharel em Teologia (Faculdade Teológica Batista de Brasília, 1984), Mestre em Ciências da Religião (UMESP, 2001), Doutor em Sociologia (UnB, 2006) e Pós-Doutor pela PUC/GO, bolsista CAPES (2014). E-mail: profarau@gmail.com

2 ARAÚJO, João Pedro G. Discipulado consistente. Taubaté: Vital, 2018.

3 BONHOEFFER, Ditrich. Discipulado. São Paulo: Mundo Cristão, 2016, p. 32.

4 BONHOEFFER, 2016, p. 33.

5 BONHOEFFER, 2016, p. 37.

6 BONHOEFFER, 2016, p. 62, 64.

7 BONHOEFFER, 2016, p. 69.

8 BONHOEFFER, 2016, p. 145.

9 BONHOEFFER, 2016, p. 180, 182.

10 HOUSTON, James. O discípulo: o aprendizado é uma longa caminhada com o verdadeiro mestre. Brasília: Palavra, 2010, p. 28.

11 HOUSTON, 2010, p. 112.

12 STOTT, John. O discípulo radical. Viçosa: Ultimato, 2011, p. 115.

13 STOTT, 2011, p. 18.

14 STOTT, 2011, p. 20.

15 STOTT, 2011, p. 23.

16 STOTT, 2011, p. 35.

17 COMISKEY, Joel. Fazer discípulos na igreja do século 21: como a igreja baseada em células/pequenos grupos faz seguidores de Jesus. Curitiba: Ministério Igreja em Células, 2017b.

18 STETZER, Ed; QUEIROZ, Sérgio. Igrejas que transformam o Brasil: sinais de um movimento revolucionário e inspirador. São Paulo: Mundo Cristão, 2017, p. 94.

19 COMISKEY, Joel. Multiplicando a liderança: preparando líderes para fazer a colheita. Curitiba: Ministério Igreja em Células, 2008, p. 22.

20 COMISKEY, 2008, p. 157.

21 COMISKEY, 2008, p. 9.

22 COMISKEY, 2008, p. 12.

23 COMISKEY, 2008, p. 13.

24 COMISKEY, 2008, p. 12.

25 COMISKEY, 2008, p. 100.

26 COMISKEY, 2008, p. 18.

27 COMISKEY, 2008, p. 80.

28 COMISKEY, 2008, p. 94.

29 COMISKEY, 2017b, p. 31.

30 COMISKEY, 2017b, p. 29.

31 COMISKEY, Joel. Fundamentos bíblicos para a igreja baseada em células/pequenos grupos: lições do Novo Testamento para a igreja do século 21. Curitiba: Ministério Igreja em Células, 2017a, p. 10.

32 COMISKEY, 2017b, p. 42.

33 COMISKEY, 2017b, p. 18.

34 COMISKEY, 2017b, p. 19.

35 COMISKEY, 2017b, p. 23.

36 COMISKEY, 2017b, p. 27.

37 COMISKEY, 2017b, p. 29.

38 COMISKEY, 2017b, p. 31.

39 COMISKEY, 2017b, p. 32.

40 COMISKEY, 2017b, p. 33.

41 COMISKEY, 2017b, p. 51.

42 COMISKEY, 2017b, p. 52.

43 COMISKEY, 2017b, p. 54.

44 COMISKEY, 2017b, p. 60.

45 COMISKEY, 2017b, p. 101.

46 COMISKEY, 2017b, p. 102.

47 COMISKEY, 2017b, p. 102.

48 COMISKEY, 2017b, p. 122.

49 COMISKEY, 2017b, p. 124.

50 COMISKEY, 2017b, p. 103.

51 COMISKEY, 2017b, p. 70.

52 COMISKEY, 2017b, p. 75.

53 COMISKEY, 2017b, p. 76-77, 114.

54 EARLEY, Dave. Transformando membros em líderes: como ajudar os membros do seu grupo pequeno a liderar novos grupos. Curitiba: Ministério Igreja em Células, 2009.

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